{"id":568,"date":"2017-11-03T08:12:41","date_gmt":"2017-11-03T12:12:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jaideresbell.com.br\/site\/?p=568"},"modified":"2017-11-03T09:24:20","modified_gmt":"2017-11-03T13:24:20","slug":"intervencoes-artisticas-audiovisuais-contemporaneas-experiencias-micropoliticas-entre-o-projeto-de-alcance-global-the-giant-step-e-os-indios-makuxi-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jaideresbell.com.br\/site\/2017\/11\/03\/intervencoes-artisticas-audiovisuais-contemporaneas-experiencias-micropoliticas-entre-o-projeto-de-alcance-global-the-giant-step-e-os-indios-makuxi-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas audiovisuais contempor\u00e2neas:  experi\u00eancias micropol\u00edticas entre o projeto de alcance global \u201cThe Giant Step\u201d e os \u00edndios Makuxi da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>* Com a licen\u00e7a das autoras publicamos o texto sem as figura por incompatibilidade do site. O artigo completo com as figuras pode ser solicitado do email es.@hotmail.com.<br \/>\n** O artigo ser\u00e1 apresentado no 56 Congresso internacional de Americanistas, em Barcelona na Espanha, em 2018.<\/p>\n<p>Mais sobre o projeto, fotos e filmes aqui: www.thegiantsteps.org<\/p>\n<p>Jaider Esbell (es.b@hotmail.com \/ Artista ind\u00edgena da etnia Makuxi)<br \/>\nDra. Leila Adriana Baptaglin (leila.baptaglin@ufrr.br \/ Universidade Federal de Roraima)<br \/>\nDra. Lisiane Machado Aguiar (lisiaguiar@gmail.com \/ Universidade Federal de Roraima)<\/p>\n<p>Neste artigo buscamos compreender como as interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de alcance global reterritorializam o desenvolvimento art\u00edstico nas comunidades ind\u00edgenas ampliando a possibilidade de expans\u00e3o de sua arte nos espa\u00e7os culturais por meio de diferentes recursos audiovisuais. Para isso, acompanhamos a terceira edi\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u201cThe Giant Step\u201d idealizada pelo artista H\u00fangaro-Su\u00ed\u00e7o Viliam Mauritz na comunidade ind\u00edgena Raposa I, pertencente \u00e0 terra ind\u00edgena Raposa Serra do Sol\/RR. A realiza\u00e7\u00e3o do \u201cThe Giant Step\u201d na Amaz\u00f4nia foi uma proposta do idealizador ao conhecer o artista ind\u00edgena Makuxi Jaider Esbell, como resultado do alcance do trabalho similar que Esbell desenvolve de arteativismo. A partir desse encontro, analisamos as diversas linhas de for\u00e7as micropol\u00edticas (Guattari e Rolnik, 2013), ou seja, como os modos de subjetiva\u00e7\u00e3o dominante podem (ou n\u00e3o) serem subvertidos. Nesse caso, problematizamos como o uso do audiovisual em interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, na articula\u00e7\u00e3o com a cultura ind\u00edgena, desterritorializa os circuitos da arte contempor\u00e2nea por meio de suas formas de expor em rela\u00e7\u00e3o com as distintas esferas das m\u00eddias digitais.<\/p>\n<p> Palavras-chave: Interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas; Ind\u00edgenas Makuxi; Micropol\u00edtica; Audiovisual; Circuito de arte.<\/p>\n<p>Contemporary audiovisual artistic interventions:<br \/>\nmicropolitical experiences between the international project<br \/>\n&#8220;The Giant Step&#8221; and the Makuxi Indians of the Amazon<\/p>\n<p>This article aims to understand how international artistic interventions reterritorialize artistic development in indigenous communities by expanding the possibility of expanding their art in cultural spaces through different audiovisual resources. For this, we are accompanying the third edition of the artistic intervention &#8220;The Giant Step&#8221; conceived by the Hungarian-Swiss artist Viliam Mauritz in the Raposa-Serra do Sol indigenous community. The realization of &#8220;The Giant Step&#8221; in the Amazon was proposed by an indigenous artist Jaume, Esbell Makuxi, as a result of the reach of Esbell&#8217;s similar work of art-activism. From this meeting, we analyze the different lines of micropolitical forces (Guattari and Rolnik, 2013), and so, how the methods of dominant subjectivation may or may not be subverted. In this case, we problematize how the use of the audiovisual in artistic interventions in articulation with the indigenous culture deterritorializes the circuits of contemporary art through its ways of exposing in relation to the different spheres of digital media. <\/p>\n<p>Keywords: Artistic interventions; Makuxi Indian; Micropolitics; Audio-visual; Art circuit. <\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o<br \/>\nO Brasil foi a terceira na\u00e7\u00e3o a receber a visita do artista Viliam Mauritz , que iniciou sua jornada na praia de Sandgate, Brisbane na Austr\u00e1lia e teve a segunda edi\u00e7\u00e3o em Kaposmero, na Hungria.<br \/>\nNa terra ind\u00edgena do povo Makuxi , o evento aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de outubro de 2017. A ideia central da interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica foi a de conectar pessoas a realidades pares diferentes, com o m\u00ednimo de impacto ambiental e o m\u00e1ximo de repercuss\u00e3o com o uso de ferramentas audiovisuais em m\u00eddias digitais. A proposta do artista \u00e9 de encontrar em diversas partes do mundo, artistas produtores que tamb\u00e9m fa\u00e7am agenciamentos art\u00edsticos em seus locais de origem mobilizando estruturas e pessoas para a grande intera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCom o formato de uma pegada gigante com propor\u00e7\u00f5es a partir de 100 x 45 metros, que remete \u00e0 ideia de um caminhar itinerante e de um ser maior que sai conectando temas globais comuns com desafios locais evidenciando aspectos culturais dos nativos bem como suas artes.<br \/>\nA visualiza\u00e7\u00e3o da pegada s\u00f3 pode ser percebida com a produ\u00e7\u00e3o de filmes que ser\u00e3o editados contendo de 3 e 10 minutos. Drones foram usados para captar as imagens a\u00e9reas durante o dia e a noite. As imagens diurnas, mostraram ind\u00edgenas Makuxi dan\u00e7ando o parixara &#8211; dan\u00e7a ritual ancestral em uma coreografia coletiva preparada especialmente para a ocasi\u00e3o. As cenas noturnas mostraram 39 fogueiras que foram acesas ao mesmo tempo para mostrar a pegada gigante e a rela\u00e7\u00e3o espiritual e usual dos Makuxi com o fogo e a lenha. Foi usado lenha da \u00e1rvore Mirixi, n\u00e3o por coincid\u00eancia, mas pela rela\u00e7\u00e3o desta com a comunidade.<br \/>\nEntendemos que esse tipo de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica que conta com o aux\u00edlio do audiovisual necessita de uma articula\u00e7\u00e3o comunicacional para funcionar enquanto tal. Situa\u00e7\u00e3o essa que perpassa, para al\u00e9m do produto, por outros elementos do Circuito da Cultura e,  neste caso espec\u00edfico, do Circuito da Arte.<br \/>\nDesse modo, buscamos problematizar como as interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de alcance global reterritorializam o desenvolvimento\/envolvimento art\u00edstico de comunidades ind\u00edgenas ampliando a possibilidade de expans\u00e3o de sua arte em diferentes espa\u00e7os culturais por meio do audiovisual e de sua circula\u00e7\u00e3o em m\u00eddias digitais. Para isso, contemplamos, nesse artigo, tr\u00eas linhas de problematiza\u00e7\u00e3o. Abordamos inicialmente os sentidos criados pela arte ind\u00edgena da cultura Makuxi, daquela comunidade durante a interven\u00e7\u00e3o \u201cThe Giant Step\u201d. Em segundo lugar, problematizamos como o uso do audiovisual em interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas desterritorializa os circuitos da arte contempor\u00e2nea com suas formas de expor em rela\u00e7\u00e3o com as distintas esferas das m\u00eddias digitais. Em terceiro lugar, aproveitamos as considera\u00e7\u00f5es finais para propor que o circuito da arte necessita de modifica\u00e7\u00f5es, pois o processo de media\u00e7\u00e3o passa a requerer estrat\u00e9gias que interliguem o artista-obra ao expectador-consumidor para que o Circuito da Arte se estabele\u00e7a. Apresentando assim, a necessidade de rupturas dos padr\u00f5es configurados nos entornos do trabalho com a Cultura e a Arte.<\/p>\n<p>Arte ind\u00edgena da cultura Makuxi apresentada no \u201cThe Giant Step\u201d <\/p>\n<p>A comunidade ind\u00edgena Raposa I, localizada na Terra ind\u00edgena  Raposa Serra do Sol \u00e9 composta por cerca de 960 habitantes. Formada em sua maioria, por ind\u00edgenas da etnia Makuxi que vivem no lavrado. Em diferentes contextos, a terra ind\u00edgena da Raposa Serra do sol \u00e9 refer\u00eancia, e busca, por v\u00e1rios meios, manter-se viva. Fazer arte ind\u00edgena contextual foi uma das estrat\u00e9gicas que a comunidade desenvolveu para divulgar sua cultura. As atividades artesanais, art\u00edsticas e espirituais sempre foram mantidas. Secular, a comunidade mant\u00e9m sua identidade em altern\u00e2ncia de fluxos que perpassam por identidade e autonomia. Nos \u00faltimos anos, especialmente ap\u00f3s a homologa\u00e7\u00e3o da reserva, a comunidade volta ao destaque com atividades culturais que priorizam pr\u00e1ticas e saberes ancestrais em resist\u00eancia a novos depreciativos da cultura de massa  (\u00e1lcool e res\u00edduos n\u00e3o org\u00e2nicos)<br \/>\nNa comunidade ind\u00edgena Makuxi, a materializa\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica central da obra foi feita com os Parixaras, entidades centrais na cultura Makuxi, que dan\u00e7am o Parixara. Ao dan\u00e7ar o Parixara o Makuxi bate firme os p\u00e9s no ch\u00e3o, assim, ressaltam o valor das pegadas firmes em diferentes leituras quais possam ser contextualizadas entre realidades e vis\u00f5es extrapoladas sobre a vida coletiva na Terra.<br \/>\nA dan\u00e7a parixara faz parte de um ritual de agradecimento \u00e0 natureza sendo o grande chamamento para um olhar maior para a sa\u00fade da Terra como m\u00e3e maior da humanidade e de todos os seres \u00e9 parte do conceito central da pe\u00e7a art\u00edstica na comunidade ind\u00edgena no Brasil.<br \/>\nEm parceria com o artista Jaider Esbell, \u00edndio Makuxi da regi\u00e3o da Raposa, a proposta foi apresentada para toda a comunidade que decidiu em reuni\u00e3o interna receber os artistas e seus convidados, bem como aceitou o desafio de fazer acontecer a intera\u00e7\u00e3o por meio de um verdadeiro festival de cultural Makuxi durante os tr\u00eas dias da interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<br \/>\nTodas as atividades de intera\u00e7\u00e3o cultural foram registradas para o acervo audiovisual e mem\u00f3ria da comunidade e parte ser\u00e1 editada para formatar filmes que ser\u00e3o os produtos imediatos de proje\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica para o passo seguinte: a conex\u00e3o dessa experi\u00eancia com as diferentes esferas das m\u00eddias digitais.<br \/>\nA comunidade ind\u00edgena se mobilizou para receber, materializar visualmente a obra de arte e acompanhar os seus desdobramentos. Foi a primeira vez que a comunidade ind\u00edgena recebeu uma atividade de cunho internacional, com arte global, mostrando o local. Pela primeira vez, tamb\u00e9m a comunidade foi envolvida como parceira na realiza\u00e7\u00e3o de uma obra de arte com um artista de outro pa\u00eds.<br \/>\nA programa\u00e7\u00e3o envolveu intera\u00e7\u00e3o cultural livre com feiras, oficinas, caminhadas no campo, expedi\u00e7\u00f5es na natureza e apresenta\u00e7\u00f5es culturais realizadas pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas. Artistas e comunidade receberam outros artistas ind\u00edgenas como convidados especiais para a consagra\u00e7\u00e3o do trabalho coletivo de arte.<br \/>\nArtistas locais foram convidados para celebrar o ato como uma conquista aut\u00f4noma do esfor\u00e7o maior da arte e da resist\u00eancia da arte ind\u00edgena. Esse feito \u00e9 carregado de significados e o maior sem d\u00favida \u00e9 a capacidade pol\u00edtica de organiza\u00e7\u00e3o da comunidade em agenciar uma arte coletiva de alcance global. A performance coletiva \u00e9 de fato um chamamento para quest\u00f5es culturais. Neste sentido, entendemos que no campo das Artes, a subjetiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 apenas na produ\u00e7\u00e3o, mas em outros \u00e2mbitos como os o uso de diferentes audiovisuais em m\u00eddias digitais.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de novos agentes, como o curador (cuja subjetividade, se considerado o poder que possui, pode vir a resultar em exposi\u00e7\u00f5es cujos temas e quest\u00f5es sejam estranhos aos artistas que delas participem), gera fatalmente uma tens\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e esses poderes habituados \u00e0 primazia que de forma institucional lhes foi concedida (COCCHIARALE, 2004, p. 70).<\/p>\n<p>De acordo com o artista Jaider Esbell a interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica na sua comunidade inova na possibilidade de dar visibilidade a essas linguagens art\u00edsticas que vem sendo produzidas em espa\u00e7os comunit\u00e1rios e educacionais minorit\u00e1rios. \u201cNa pr\u00e1tica, a realiza\u00e7\u00e3o da escultura gigante na comunidade da Raposa I \u00e9 um feito hist\u00f3rico e enigm\u00e1tico. O modo como foi feita a abordagem, a presen\u00e7a clara da comunidade em todas as etapas, diferencia este de qualquer feito antes realizado\u201d.<br \/>\nO conhecimento art\u00edstico e hist\u00f3rico das linguagens ind\u00edgenas amplia o repert\u00f3rio de valoriza\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o justificando sua produ\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o em diferentes espa\u00e7os art\u00edsticos e conta com o aux\u00edlio audiovisual nas m\u00eddias digitais.<br \/>\nDessa forma, a subjetividade do expectador passa pertencer a obra e, consequentemente ao lugar. Esta apropria\u00e7\u00e3o da obra pelo sujeito e do sujeito pela obra \u00e9 realizada de diferentes formas, mas especificamente, a partir do s\u00e9culo XXI, com as conex\u00f5es via rede.<br \/>\nCochiarale (2004, p. 70), nos coloca que as redes eletr\u00f4nicas recobrem uma parte significativa do mundo, no entanto, s\u00e3o \u201c[&#8230;] apenas um resultado e um instrumento das desterritorializa\u00e7\u00f5es em cascata que est\u00e3o na raiz de nosso mundo\u201d. Apresenta-se assim como um dos meios de aprecia\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o entre obra e expectador, mas n\u00e3o o \u00fanico.<br \/>\nO contato f\u00edsico e a visualidade ainda apresentam uma for\u00e7a significativa no processo comunicacional art\u00edstico. O impacto da obra expostas nos espa\u00e7os p\u00fablicos acrescenta ao artista e, tamb\u00e9m ao expectador a sensa\u00e7\u00e3o de \u00eaxtase e euforia pr\u00f3prios da apropria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Assim podemos sinalizar que a obra passa a explorar um outro espa\u00e7o de ocupa\u00e7\u00e3o que come\u00e7a a ser consolidado e erigido pelo artista e expectador.<br \/>\nTrabalhar a interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 trabalhar com as concep\u00e7\u00f5es de lugar, simbologia, estesia, presentes tanto no artista como no expectador, ambos construindo uma sintonia de ideais que compactuam na constru\u00e7\u00e3o do social. Um social cheio de especificidades e subjetividades pr\u00f3prias da sintonia estabelecida na Arte contempor\u00e2nea. Situa\u00e7\u00e3o esta extremamente complexa ao tratarmos de um lugar social como o estado brasileiro de Roraima (onde se encontra a comunidade ind\u00edgena Raposa \u2013 Serra do Sol), que ainda carece de experi\u00eancias com exposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e ocupa\u00e7\u00f5es do lugar cotidiano, do espa\u00e7o urbano, como galerias ou museus para suas obras.<br \/>\nAl\u00e9m de seu valor est\u00e9tico, as interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas contempor\u00e2neas trazem \u00e0 tona problem\u00e1ticas e reflex\u00f5es sobre o ambiente social. Assim, segundo Silva (2015, p. 05) \u201c[&#8230;] a percep\u00e7\u00e3o das interven\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas est\u00e1 conectada com os espa\u00e7os e tempos de uma cidade. Muito al\u00e9m de observar mudan\u00e7as geogr\u00e1ficas, territoriais e \u201ccronol\u00f3gicas\u201d de uma cidade \u00e9 preciso entender suas composi\u00e7\u00f5es, suas dura\u00e7\u00f5es e seus ritmos cotidianos.\u201d Estas interven\u00e7\u00f5es com p\u00fablicos variados, instiga o olhar cr\u00edtico para os acontecimentos locais. Mas, como investigar os processos micropol\u00edticos de produ\u00e7\u00e3o de linguagens art\u00edsticas audiovisuais em conflu\u00eancia com a alteridade dos movimentos culturais?<br \/>\nO posicionamento epistemol\u00f3gico ocorre pela l\u00f3gica dos sentidos na filosofia da diferen\u00e7a. Assim, a micropol\u00edtica \u00e9 entendida como o processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento a partir das rela\u00e7\u00f5es de saber-poder. N\u00e3o se quer saber apenas \u201co qu\u00ea?\u201d, mas \u201cde que modo\u201d e, principalmente, \u201ccomo\u201d determinado saber art\u00edstico e n\u00e3o outro est\u00e1 sendo trabalhado.<br \/>\nPara isso, metodologicamente compomos uma problematiza\u00e7\u00e3o cr\u00edtica-heur\u00edstica-interpretativa das estrat\u00e9gias de rela\u00e7\u00f5es de poder em composi\u00e7\u00e3o com o campo de saber. Partimos da perspectiva que a discuss\u00e3o metodol\u00f3gica merece ser reconhecida como elemento vital na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Deve ser entendida mais amplamente do que a simples descri\u00e7\u00e3o operativa de procedimentos ou de observa\u00e7\u00e3o. Ela envolve tamb\u00e9m os importantes aspectos conceituais, \u00e9ticos, est\u00e9ticos e pol\u00edticos.<br \/>\nAssim, deve-se ter em conta que a linguagem audiovisual pode ser entendida a partir de diferentes perspectivas que se inter-relacionam e se articulam nos processos de investiga\u00e7\u00e3o. O ponto de vista mais comum associa o uso de som e imagem na composi\u00e7\u00e3o de produtos midi\u00e1ticos que requisitam os sentidos da audi\u00e7\u00e3o e da vis\u00e3o para sua percep\u00e7\u00e3o. Se essas entradas permitem certas delimita\u00e7\u00f5es nesse campo, n\u00e3o d\u00e3o conta de sua complexidade e, nesse sentido, das suas multiplicidades (Deleuze e Guattari, 1995). Afinal, o estudo do audiovisual na inser\u00e7\u00e3o do trabalho art\u00edstico pode se constituir como linguagem e discurso, numa complexa rela\u00e7\u00e3o entre a cultura, a imagem, a t\u00e9cnica e atravessadas pela \u00e9tica e pela est\u00e9tica. Tanto prevendo espa\u00e7os para consensos, diverg\u00eancias, padroniza\u00e7\u00f5es, sociabilidades e trocas simb\u00f3licas, como tamb\u00e9m para usos, apropria\u00e7\u00f5es, configura\u00e7\u00f5es, converg\u00eancias, experimenta\u00e7\u00f5es e inova\u00e7\u00e3o sobre formatos, suportes e tecnologias.<br \/>\nNesse processo, \u00e9 poss\u00edvel pensar o audiovisual como uma esfera de virtualidade e atualiza\u00e7\u00f5es que potencializa devires de diversas ordens, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os para o hegem\u00f4nico, ou seja, a pesquisa te\u00f3rico-metodol\u00f3gica deve ser capaz de trabalhar com a diferen\u00e7a e com a pluralidade de um campo complexo, que alimenta e \u00e9 alimentado por outros campos, engendrando inter-relac\u0327\u00f5es constantes de tens\u00e3o e distens\u00e3o sobre a t\u00e9cnica, os discursos e culturas em potencial.<br \/>\nPara avan\u00e7ar sobre as especificidades dessas multiplicidades audiovisuais no campo art\u00edstico temos que refletir n\u00e3o apenas sobre as possibilidades epist\u00eamicas, mas igualmente sobre as suas mudan\u00e7as no circuito da arte. Buscamos, ent\u00e3o, acompanhar os processos de produ\u00e7\u00e3o das interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas \u2013 como foi o caso da realiza\u00e7\u00e3o do \u201cThe Giant Step\u201d na comunidade ind\u00edgena Raposa &#8211; Serra do Sol, desnaturalizando o que \u00e9 legitimado como a interven\u00e7\u00e3o, rastreando as suas rela\u00e7\u00f5es e analisando os sentidos que as orientam dentro do campo da linguagem ao se utilizar o audiovisual na composi\u00e7\u00e3o da obra.<\/p>\n<p>O uso do audiovisual em interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas<\/p>\n<p>Como podemos inferir atrav\u00e9s desses pontos que uma anal\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es de saber-poder se refere \u00e0 diversas linhas de for\u00e7as micropol\u00edticas (institucionais, discursivas, hist\u00f3ricas, pol\u00edticas, culturais, econ\u00f4micas, entre outras) desde que sejam entendidas enquanto pr\u00e1ticas. Dessa maneira, uma problem\u00e1tica gerada a partir dessa perspectiva busca operar processualmente n\u00e3o como algo que possa ser identificado com refer\u00eancias e indiv\u00edduos espec\u00edficos, mas que conecta a todos. \u00c9 um agenciamento que se processa micropol\u00edticamente entre o saber, o poder e a subjetiva\u00e7\u00e3o. O significado s\u00f3 existe a partir do momento em que foi enunciado, passando a fazer parte de um ou mais discursos.<br \/>\nEntre o saber, o poder e a subjetiva\u00e7\u00e3o h\u00e1 um processo de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que conecta-se inevitavelmente a uma pol\u00edtica, ou seja, cria e atualiza o poss\u00edvel. Nessa pol\u00edtica h\u00e1 dimens\u00f5es coexistentes que n\u00e3o se op\u00f5em, mas que se diferenciam: uma macropol\u00edtica que \u00e9 molar com planos de formas e sistemas de sobrecodifica\u00e7\u00f5es; e, uma micropol\u00edtica que \u00e9 molecular com plano de fluxos e linhas de fuga.<br \/>\nObservamos que este campo convoca constantes transforma\u00e7\u00f5es tanto no plano molar quanto molecular, o que implica agenciamentos dos processos de produ\u00e7\u00e3o. Para Guattari e Rolnik (2013, p. 133) \u201ca quest\u00e3o da micropol\u00edtica \u00e9 a de como reproduzimos (ou n\u00e3o), os modos de subjetiva\u00e7\u00e3o dominante (&#8230;)\u201d. Assim, mesmo naquilo que ganha visibilidade como hegem\u00f4nico h\u00e1 sempre espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o. O poder deixa de ter uma rela\u00e7\u00e3o direta com o Estado (ele deixa de ser um \u00f3rg\u00e3o \u00fanico de poder) e passa a ter uma exist\u00eancia nas formas de exerc\u00edcio do poder. A micropol\u00edtica n\u00e3o parte do centro para a periferia ou do macro para o micro, ou seja, n\u00e3o parte seus estudos do Estado para procurar at\u00e9 onde se estende nas dimens\u00f5es mais baixas da sociedade. Assim, podemos pensar no o audiovisual pode se constituir como linguagem e discurso, numa complexa rela\u00e7\u00e3o entre a t\u00e9cnica e a cultura, atravessadas pela est\u00e9tica e pela \u00e9tica.<br \/>\nPodemos considerar o audiovisual como conformador de um campo complexo, que alimenta e \u00e9 alimentado por outros campos, engendrando inter-rela\u00e7\u00f5es constantes de tens\u00e3o e distens\u00e3o sobre a t\u00e9cnica, os discursos e culturas em potencial. Nesse processo, \u00e9 poss\u00edvel prever espa\u00e7os para consensos, diverg\u00eancias, padroniza\u00e7\u00f5es, sociabilidades e trocas simb\u00f3licas, mas tamb\u00e9m para usos, apropria\u00e7\u00f5es, configura\u00e7\u00f5es, converg\u00eancias, experimenta\u00e7\u00f5es e inova\u00e7\u00e3o sobre formatos, suportes e tecnologias.<br \/>\nComo, ent\u00e3o o uso do audiovisual em interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas com a cultura ind\u00edgena desterritorializa os circuitos da arte contempor\u00e2nea com suas formas de expor em rela\u00e7\u00e3o com as distintas esferas das m\u00eddias digitais?<br \/>\nIsso ocorre, pois as artes passam a vincular-se ao p\u00fablico de forma diferenciada exigindo dos processos de media\u00e7\u00e3o o conhecimento e a intera\u00e7\u00e3o com o sujeito consumidor.<br \/>\nEstes passos nos mostram que o artista e o expectador necessitam de outras formas de intera\u00e7\u00e3o para a aprecia\u00e7\u00e3o e o consumo da Arte. Isso pode ser evidenciado principalmente pela exist\u00eancia de outros locais e de outros atores existentes no circuito da Arte n\u00e3o restringindo-se ao espa\u00e7o do Museu e aos atores antes envolvidos, mas sim, adentrando em espa\u00e7os n\u00e3o formais e nos meios digitais. A exist\u00eancia deste cen\u00e1rio proporciona a necessidade da media\u00e7\u00e3o condizente e, \u00e9 nesta perspectiva que a avalia\u00e7\u00e3o do processo apresenta-se como fundamental para que o circuito seja completo e atenda as necessidades do artista e do expectador.<br \/>\nEste processo e media\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio, mas requer do profissional mediador conhecimentos que lhe possibilite dialogar com cada sujeito e suas peculiaridades sendo este um trabalho bastante complexo. Um trabalho de conhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o sociocultural do sujeito e dos seus espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNeste sentido, a media\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o da obra passam a ser vistos com um olhar voltado para a compreens\u00e3o da arte como um todo e n\u00e3o apenas na interpreta\u00e7\u00e3o da obra a partir de questionamentos incipientes.<br \/>\nA liberdade de interpreta\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o \u201cpris\u00e3o\u201d \u00e0s regras faz com que a imagina\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o possibilitem a criatividade e amplia\u00e7\u00e3o de horizontes visuais. E, a amplia\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de aprecia\u00e7\u00e3o da arte vem proporcionando este desenvolvimento cultura ampliando possibilidades de constru\u00e7\u00e3o de conhecimentos para o sujeito. Com isso, o processo de media\u00e7\u00e3o em diferentes espa\u00e7os culturais vem passando por modifica\u00e7\u00f5es adequando-se as transforma\u00e7\u00f5es e informatiza\u00e7\u00f5es sociais a fim de atender as demandas que vem surgindo.<br \/>\n\tTrabalhar com as especificidades de uma interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica requer do mediador prepara\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o do contexto art\u00edstico contempor\u00e2neo. Assim, al\u00e9m dos museus, nos espa\u00e7os informais de m\u00eddias digitais e nas outras situa\u00e7\u00f5es de exposi\u00e7\u00e3o da obra de Arte no contexto contempor\u00e2neo temos diferentes concep\u00e7\u00f5es de cultura que desencadeiam diferentes tipos de media\u00e7\u00e3o as quais, longe de serem homog\u00eaneas, aparecem muito dependentes de seu contexto.<br \/>\n\tAs interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que fazem sua difus\u00e3o por meio das m\u00eddias digitais apresentam-se como uma das linguagens contempor\u00e2neas que extrapolam o lugar da arte at\u00e9 ent\u00e3o consolidado: o museu e as galerias. Lugares esses que, na regi\u00e3o amaz\u00f4nica e, em especial no Estado de Roraima, ainda n\u00e3o podem ser considerados consolidados visto que, em Roraima o \u00fanico museu existente est\u00e1 fechado e, os lugares de exposi\u00e7\u00e3o de obras de Arte ainda s\u00e3o bastante restritos limitando-se a algumas galerias de institui\u00e7\u00f5es privadas e\/ou galerias particulares de artistas locais.<br \/>\nAssim, as interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que utilizam o espa\u00e7o digital em associa\u00e7\u00e3o com o audiovisual constituem-se em uma linguagem art\u00edstica que passa a ganhar corpo a partir do momento em que levam a arte para os espa\u00e7os p\u00fablicos dando a possibilidade de aprecia\u00e7\u00e3o pelos diferentes sujeitos. Agu\u00e7a, com isso, um outro olhar para o processo comunicacional a ser constru\u00eddo, haja vista a ideologia proposta nas interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, como no caso de \u201cThe Giant Step\u201d e, a recep\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico vasto nem sempre exposto \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<br \/>\nReferente ao objeto arte, conforme considera\u00e7\u00f5es de Leirner (1984, p. 06), \u201c[&#8230;] podemos ent\u00e3o entender que, mesmo o objeto recolhido praticamente pronto, precisa ser apropriado pelo artista, para ganhar novos significados e tornar-se objeto de arte\u201d. A apropria\u00e7\u00e3o de objetos cotidianos, expostos em lugares cotidianos, passa a estimular no sujeito a criticidade sobre o conceito do que \u00e9 Arte. Isso porque o expectador n\u00e3o \u00e9 mais apenas o cr\u00edtico e apreciador de arte e, em muitas situa\u00e7\u00f5es, o conceito e o processo de apropria\u00e7\u00e3o do objeto n\u00e3o foram ainda internalizados pelo sujeito, haja vista a recente inser\u00e7\u00e3o e trabalho deste na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea e, ainda mais na divulga\u00e7\u00e3o em lugares p\u00fablicos.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o digital\/Ciberarte apresenta-se como uma gama bastante ampla de nomenclaturas surgidas pela inser\u00e7\u00e3o da inform\u00e1tica na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica: o e-mail arte, a video arte, a web arte. Na contemporaneidade, a partir da manipula\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e das novas tecnologias digitais, surgem composi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que v\u00e3o sendo constru\u00eddas a partir dos paradigmas das m\u00eddias digitais \u2013 com interatividade, hibridismo e fragmenta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA Ciberarte apropria-se da expressividade do ciberespa\u00e7o construindo assim ambientes virtuais que agu\u00e7am o expectador a ativam correntes cibern\u00e9ticas de interlocu\u00e7\u00e3o do artista, obra e expectador conectando-os e tornando-os um s\u00f3 (DOMINGUES, 2002).<br \/>\nAs interven\u00e7\u00f5es surgem como pr\u00e1ticas de intervir no espa\u00e7o urbano em suas mais variadas intensidades. No cen\u00e1rio atual as interven\u00e7\u00f5es aparecem \u201c[\u2026] n\u00e3o somente como uma arte, no caso de maneira conceitual, mas tamb\u00e9m como uma nova maneira de se expressar e comunicar\u201d (BOCCILE, 2015, p. 01). As interven\u00e7\u00f5es, a partir da modifica\u00e7\u00e3o\/reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano prop\u00f5e uma estrutura\u00e7\u00e3o cr\u00edtica do pensar do expectador sendo ela utilizada a partir de diferentes t\u00e9cnicas e linguagens.<br \/>\n As linguagens art\u00edsticas contempor\u00e2neas supracitadas apresentam um car\u00e1ter de interven\u00e7\u00e3o a partir do momento em que passam a incidir no espa\u00e7o urbano ocasionando a necessidade de compreens\u00e3o e outros meios de comunica\u00e7\u00e3o com o expectador.<br \/>\nEstas produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas contempor\u00e2neas passam a integrar o espa\u00e7o digital de f\u00e1cil acesso, envolvendo a subjetividade do expectador e intervindo em seu lugar-comum de forma art\u00edstica. Assim, as interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas urbanas, em um campo de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea, proporcionam lembrar o que Cauquelin (2005) nos mostra ao referir-se ao processo comunicacional. Passamos a vivenciar uma inevit\u00e1vel mistura de pap\u00e9is: produtor\/artista, distribuidor\/comunicador e consumidor\/expectador. Estes sujeitos, antes com caracter\u00edsticas e fun\u00e7\u00f5es delimitadas, n\u00e3o mais possuem atividades espec\u00edficas e, este \u00e9 um dos grandes desafios a serem consolidados para uma melhor compreens\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica ind\u00edgena no estado roraimense.<br \/>\nA l\u00f3gica de consumo (ainda n\u00e3o implementada, mas com algumas sinaliza\u00e7\u00f5es  dentro das poucas consolida\u00e7\u00f5es de um circuito de arte em Roraima) passa a sofrer altera\u00e7\u00f5es e incrusta\u00e7\u00f5es devido aos incrementos tecnol\u00f3gicos e as novas demandas alicer\u00e7adas pela cria\u00e7\u00e3o de outras linguagens art\u00edsticas que extrapolam o espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o do museu e das galerias adentrando ao lugar p\u00fablico (GON\u00c7ALVES, 2017).<br \/>\nAssim, a necessidade de outros profissionais, que ainda n\u00e3o fazem parte de um cen\u00e1rio competitivo e qualificado em Roraima, \u00e9 agregada a este circuito \u2013 e\/ou o artista passa a ter que se apropriar destes outros segmentos no intuito de dar a conhecer sua produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEstas mudan\u00e7as estabelecem um c\u00e2mbio irrevers\u00edvel na rela\u00e7\u00e3o da arte com o expectador, clamando por um olhar mais agu\u00e7ado para os tempos e espa\u00e7os de apropria\u00e7\u00e3o no circuito da arte, em especial, o das linguagens art\u00edsticas contempor\u00e2neas e, no nosso caso, das interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que passam a ser expressas nas redes sociais.<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es para uma proposta: modifica\u00e7\u00f5es no Circuito da Arte<\/p>\n<p>Na interlocu\u00e7\u00e3o do Campo da Arte com a Comunica\u00e7\u00e3o e a Cultura, podemos considerar que a interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica se apresenta como manifesta\u00e7\u00e3o de um elo entre estes campos a qual proporciona situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 a r\u00e1pida comunica\u00e7\u00e3o da obra para com o expectador e, \u00e9 neste vi\u00e9s que os novos atores do circuito da arte passam a interagir.<br \/>\n\tO circuito da cultura em que diferentes atores passam a fazer parte de um sistema operador\/operativo da Cultura fornece elementos importantes para trilharmos uma poss\u00edvel cartografia do Circuito da Arte.<br \/>\nNo texto\/leitura, adentrando ao campo comunicacional da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, o artista apropria-se de suas habilidades t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o para abstrair e expressar para o expectador utilizando-se de diferentes elementos. Contudo, neste momento a apropria\u00e7\u00e3o dos conhecimentos art\u00edsticos e do espa\u00e7o urbano estabelecem uma vincula\u00e7\u00e3o direta com o processo de media\u00e7\u00e3o a partir do momento em que a recep\u00e7\u00e3o da obra adquire um status de produ\u00e7\u00e3o de sentido pelo expectador.<br \/>\nEsta leitura aut\u00f4noma evidencia um risco eminente de apropria\u00e7\u00e3o equivocada da mensagem estabelecida pelo artista. Segundo Escoteguy (2007, p. 121) \u201co risco \u00e9 assumir a autonomia da leitura em oposi\u00e7\u00e3o a autoridade do texto, suprimindo ainda a produ\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 sendo consumido\u201d.<br \/>\nNa interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica com a cultura ind\u00edgena, a autoridade do texto \u00e9 deixada de lado assim como a compreens\u00e3o advinda de um processo de media\u00e7\u00e3o que auxilie o leitor\/expectador a compreens\u00e3o da obra. Passamos assim a verificar duas condicionalidades de leitor\/apreciador o que busca compreender \u201co que a obra diz de mim\u201d e\/ou \u201co que a obra quer dizer\u201d. Ambas as perspectivas s\u00e3o plaus\u00edveis, mas requerem uma percep\u00e7\u00e3o agu\u00e7ada do expectador, haja vista que no espa\u00e7o digital a presen\u00e7a do mediador \u00e9 dispensada\/inexistente.<br \/>\nConforme Escosteguy (2007, p. 121), o processo de texto\/leitura requer assim, \u201c[&#8230;] uma conex\u00e3o com as pr\u00e1ticas de grupos sociais e os textos que est\u00e3o em circula\u00e7\u00e3o, realizando uma an\u00e1lise s\u00f3cio-hist\u00f3rica de elementos culturais que estejam ativos em meios sociais particulares\u201d<br \/>\nA compreens\u00e3o das Culturas Vividas do artista e do expectador s\u00e3o fundamentais para que haja conex\u00e3o e consumo da obra. Consumo aqui \u00e9 vinculado ao processo de apropria\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do conceito pelo expectador e n\u00e3o necessariamente o consumo em termos materiais da obra. Artista e expectador necessitam estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o que apresente interesses comuns, que os interligue suplantando assim a simples vincula\u00e7\u00e3o e o consumo da obra do artista pelo expectador. Isso ocorre, mesmo aquele sendo um sujeito com rela\u00e7\u00f5es sociais, culturais e hist\u00f3ricas distintas das expressas pelo artista.<br \/>\nO artista necessita do conhecimento do lugar a ser exposto e do p\u00fablico a ser atingido a fim de que sua constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica seja consumida pelo expectador.<br \/>\n\tO consumo deixa de ser a troca\/compra de bens materiais e passa a ser espa\u00e7o de di\u00e1logo entre sujeitos e entre obra e expectador adentrando ao processo de apropria\u00e7\u00e3o de culturas e simbologias.<br \/>\n\tAl\u00e9m destes elementos do circuito cultural, o processo de financiamento da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica tamb\u00e9m passa por modifica\u00e7\u00f5es. H\u00e1 algumas d\u00e9cadas o financiamento de obras e em especial, o financiamento cultural era quase que exclusivo do Estado ou de alguns mecenas. Hoje, a iniciativa privada come\u00e7a a ganhar espa\u00e7o e a vincular-se a prerrogativa de arte como neg\u00f3cio, situa\u00e7\u00e3o que incita a preocupa\u00e7\u00e3o sobre as produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas haja vista que os patroc\u00ednios\/financiamentos contempor\u00e2neos podem acabar por atender mais aos interesses da iniciativa cultural privada do que ao artista.<br \/>\n\tMesmo diante de modifica\u00e7\u00f5es na estrutura do Circuito da Arte, realizadas devido as necessidades de contexto, ainda dispomos de uma estrutura que se apresenta vinculada a alguns padr\u00f5es de consumo repassados \u00e0 sociedade a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, do advento do Capitalismo e da Cultura de Massa. Situa\u00e7\u00e3o esta presente, haja vista que a arte representa a sociedade e apresenta o que nela h\u00e1 de mais sincero e incrustado. \u00c9 neste processo de representa\u00e7\u00e3o que assentamos nossas proposi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\tTrabalhar com uma constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica contempor\u00e2nea requer, portanto, uma aproxima\u00e7\u00e3o conceitual bastante estruturada em valores e normas constru\u00eddos socialmente. Verificamos que a cultura ind\u00edgena \u00e9 um elemento significativo na constru\u00e7\u00e3o dos saberes amaz\u00f4nicos, contudo, estes ainda carecem de uma apropria\u00e7\u00e3o adequada para serem transpostos ao n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e da consolida\u00e7\u00e3o de um Circuito da Arte.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>CAUQUELIN, Anne (2005): Arte Contempor\u00e2nea: uma introdu\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins. <\/p>\n<p>COCCHIARALE, Fernando (2004): A (outra) Arte Contempor\u00e2nea Brasileira: interven\u00e7\u00f5es urbanas micropol\u00edticas. Revista do Programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em artes visuais EBA, UFRJ. <\/p>\n<p>DELEUZE, Gilles; GUATTARI, F\u00e9lix (1995): Mil Plat\u00f4s \u2013 capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1995. <\/p>\n<p>ESCOTEGUY, Ana Carolina (2007): Circuito da cultura\/circuito de comunica\u00e7\u00e3o: um protocolo anal\u00edtico de integra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o. Revista Comunica\u00e7\u00e3o, M\u00eddia e Consumo. S\u00e3o Paulo. Vol. 4.Nov. 2007.<br \/>\nDOMINGUES, Diana (org.) (1997): A arte no s\u00e9culo XXI: A humaniza\u00e7\u00e3o das tecnologias. S\u00e3o Paulo: UNESP.<\/p>\n<p>DOMINGUES, Diana (org.) (1997): A arte no s\u00e9culo XXI: A humaniza\u00e7\u00e3o das tecnologias. S\u00e3o Paulo: UNESP <\/p>\n<p>GON\u00c7ALVES, Tain\u00e1 Ribeiro (2017): Culturas e identidades em Roraima: um olhar para as representa\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas de artistas do curso de artes visuais\/UFRR. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Letras. Roraima. UFRR. <\/p>\n<p>GUATTARI, F\u00e9lix; ROLNIK, Suely (2013): Micropol\u00edtica: cartografias do desejo. Petr\u00f3polis: Vozes, 2013.<\/p>\n<p>SILVA, Eloenes Lima (2015): Interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em espa\u00e7os p\u00fablicos e pedagogias da cidade: possibilidade de pesquisa. 37\u00aa Reuni\u00e3o Nacional da ANPEd, UFSC \u2013 Florian\u00f3polis.<\/p>\n\t<div class=\"quickshare-container\">\r\n\t<ul class=\"quickshare-genericons monochrome quickshare-effect-spin quickshare-effect-expand\">\r\n\t\t<li class=\"quickshare-share\">Compartilhe:<\/li> \r\n\t\t<li><a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer.php?u=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2017%2F11%2F03%2Fintervencoes-artisticas-audiovisuais-contemporaneas-experiencias-micropoliticas-entre-o-projeto-de-alcance-global-the-giant-step-e-os-indios-makuxi-da-amazonia%2F&amp;t=Interven%C3%A7%C3%B5es+art%C3%ADsticas+audiovisuais+contempor%C3%A2neas%3A++experi%C3%AAncias+micropol%C3%ADticas+entre+o+projeto+de+alcance+global+%E2%80%9CThe+Giant+Step%E2%80%9D+e+os+%C3%ADndios+Makuxi+da+Amaz%C3%B4nia+<+JAIDER+ESBELL\" 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O artigo completo com as figuras pode ser solicitado do email es.@hotmail.com. ** O artigo ser\u00e1 apresentado no 56 Congresso internacional de Americanistas, em Barcelona na Espanha, em 2018. 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