{"id":636,"date":"2018-08-26T21:05:00","date_gmt":"2018-08-27T01:05:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jaideresbell.com.br\/site\/?p=636"},"modified":"2018-08-26T21:05:00","modified_gmt":"2018-08-27T01:05:00","slug":"makunaima-o-meu-avo%cc%82-em-mim","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jaideresbell.com.br\/site\/2018\/08\/26\/makunaima-o-meu-avo%cc%82-em-mim\/","title":{"rendered":"MAKUNAIMA, O MEU AVO\u0302 EM MIM!"},"content":{"rendered":"<p>Ver artigo completo com imagens e texto aqui:http:\/\/seer.ufrgs.br\/iluminuras<br \/>\nRevis\u00e3o: Parm\u00eanio Cit\u00f3.<br \/>\nEu acontec\u0327o, artisticamente falando, acredito, dentro de um processo que nos convida a pensar criticamente a decolonizac\u0327a\u0303o, a apropriac\u0327a\u0303o cultural, o cristianismo, o monotei\u0301smo, a monocultura e todos os dilemas do existir globalizado. Ou na\u0303o? O meu surgimento vem junto com a expectativa que se cria em volta de outro termo, no Brasil ao menos, a arte indi\u0301gena contempora\u0302nea. Na\u0303o a moderna, a passada e extinta, nem a por vir, mas a deste ini\u0301cio do se\u0301culo XXI.<br \/>\nAdianto que na\u0303o ando so\u0301, que na\u0303o falo so\u0301, que na\u0303o aparec\u0327o so\u0301. Fac\u0327o saber que toda a visualidade que me comporta, todas as pistas ja\u0301 expostas do meu existir sa\u0303o meramente um passo para mais miste\u0301rios. Somos por no\u0301s mesmos o poc\u0327o de todos os miste\u0301rios. Fac\u0327o saber ainda que na\u0303o temos definic\u0327a\u0303o, que viemos de um tempo conti\u0301nuo, sem estacionar. Antes, fac\u0327o saber que buscamos os sentidos mais abstratos, tratamos de outros tratos bem firmes nessa passagem. Antes mesmo, devo dizer que tanto meu avo\u0302 Makunaima quanto eu mesmo, parte direta dele, somos artistas da transformac\u0327a\u0303o.<br \/>\nSurgimos junto com a arte e todos os desafios do grande existir e suas mais claras urge\u0302ncias individuais e coletivas. Surgimos no aparente caos, como e\u0301 mesmo descrito entre os grandes Xama\u0303s do mundo e um quase consenso na cie\u0302ncia, em termos de rumos para a humanidade tal qual. O prenu\u0301ncio matema\u0301tico do fim do mundo e\u0301 tambe\u0301m um cena\u0301rio de nossa aparic\u0327a\u0303o. Como produto, tambe\u0301m desse tempo, tenho a ideia de que a colonizac\u0327a\u0303o foi um processo, embora saiba que trata-se de um ato conti\u0301nuo.<br \/>\nAssim, olhei para todos os lados e vi meu o avo\u0302 no horizonte. No horizonte esta\u0301 claro tambe\u0301m que na\u0303o havera\u0301 cultura tampouco vida \u2013 e vida de qualidade, muito meno \u2013 para quem quer que seja em nada sendo feito. Na\u0303o e\u0301 possi\u0301vel, caso na\u0303o rompamos alguma membrana extra do agora, pensar uma ideia de futuro em questo\u0303es de nossa ligac\u0327a\u0303o espiritual com a terra e com o nosso lixo. Adianto, Makunaima na\u0303o e\u0301 so\u0301 um guerreiro forte, ma\u0301sculo, macho e viril distante de uma realidade possi\u0301vel, na\u0303o senhores. Ele e\u0301 uma energia densa, forte, com fonte pro\u0301pria como uma bananeira.<br \/>\n1 Artista Makuxi, Roraima, Brasil<br \/>\nNota da Organizadora: Artigo original convidado especialmente para essa publicac\u0327a\u0303o.<br \/>\nJaider Esbell1<br \/>\n\ufffc<br \/>\nA ideia inicial da construc\u0327a\u0303o deste texto me fez pensar profundamente os propo\u0301sitos da cie\u0302ncia em fazer da arte um instrumento de esti\u0301mulo ao pensamento. Visto que bem ocupo um lugar privilegiado de trabalho na\u0303o me furto em deixar pistas ou acessos para que todas as questo\u0303es maiores estejam contempladas. Falamos em desconstruc\u0327a\u0303o? Ge\u0302nero, sexualidade e o extrapolar de mundos sera\u0303o temas recorrentes pois fazem parte da vida e para a arte tudo e\u0301 mesmo substa\u0302ncia. Ter a liberdade na escrita na\u0303o quer dizer muito quando o mundo precisa de outros meios possi\u0301veis para se traduzir em si mesmo.<br \/>\nHa\u0301 esse agenciamento na educac\u0327a\u0303o escolar? Sa\u0303o questo\u0303es que nos apetecem. Empre\u0301stimos temos que fazer a todo o momento. Empre\u0301stimos que ja\u0301 ve\u0302m de longe descaracterizando as coisas, as energias e na\u0303o queiramos no\u0301s ter a esse\u0302ncia das coisas pois estas coisas na\u0303o esta\u0303o para no\u0301s a menos que elas mesmas nos sucedam.<br \/>\nEnsaio escrever para socializar um pouco o socializa\u0301vel da minha relac\u0327a\u0303o com meu avo\u0302, esse que na\u0303o e\u0301 gente exatamente para na\u0303o se\u0302-lo. Portanto Makunaima e\u0301 meu avo\u0302 e o ge\u0302nero, a forma e o conteu\u0301do te\u0302m seus lugares de ac\u0327a\u0303o como vamos citar sempre, pois sa\u0303o fundamentais, mas e\u0301 preciso ir ale\u0301m. Makunaima esta\u0301 ale\u0301m e prova isso ao transformar-se continuamente. Na\u0303o, ele na\u0303o e\u0301 transformista. Vamos dissociar aos poucos o existir-atuac\u0327a\u0303o de Makunaima dos efeitos cognitivos do ge\u0302nero em nossas mentes. Sim, nas mentes.<br \/>\nEnta\u0303o Makunaima me aparece primeiro colonizado? Eu nem bem apresentei o meu avo\u0302 e ja\u0301 lhe convido a ir ale\u0301m do ge\u0302nero, ale\u0301m do tempo. E\u0301 que vamos ter que visitar um outro mundo. Isso eu tambe\u0301m devo lhe avisar. Devo lhe avisar que estas esto\u0301rias sa\u0303o parte da minha vida e que realmente Makunaima e\u0301 meu avo\u0302; isso e\u0301 um fato. Makunaima e muitos outros vovo\u0302s sa\u0303o daqui do extremo norte da Amazo\u0302nia. No\u0301s temos uma histo\u0301ria e uma geografia. Somos parentes diretos. E\u0301 uma relac\u0327a\u0303o biolo\u0301gica, gene\u0301tica, material e uma parte substancial em espi\u0301rito, ou energia.<br \/>\nEu, quando assumo e reivindico o meu lac\u0327o familiar com Makunaima, estou convidando a ir ao ale\u0301m no discutir decolonizac\u0327a\u0303o ou colonizac\u0327a\u0303o. Quando tomo isso como um argumento quero dizer que e\u0301 parte minha querer que em todas as partes estejam algum extrapolar dos discursos. Quando fac\u0327o isso publicamente em um lugar estrate\u0301gico, com arte, acredito estar sendo paradida\u0301tico. Pois sou artista e enquanto pessoa aplico minha revelac\u0327a\u0303o, fruto de minha pesquisa, em minha vida plena sendo esta tambe\u0301m pesquisa de minha pesquisa.<br \/>\nUm sentido para a existe\u0302ncia da Pan-Amazo\u0302nia e seus povos passa nas ma\u0303os de Makunaima. Existe, onde me empenho em levar, um pleno sentido para ale\u0301m dos factoides sobre a preguic\u0327a e a falta de cara\u0301ter do Makunai\u0301ma.<br \/>\nDe fato nem quero falar destas questo\u0303es, embora tenham sido elas que nos trouxeram para este ponto. Existe todo um entremeio na\u0303o de explicac\u0327a\u0303o, mas de possibilidade de entendimento. Sem adentrar as portas das cosmoviso\u0303es dos povos origina\u0301rios na\u0303o ha\u0301 como discutir decolonizac\u0327a\u0303o. Sem considerar as culturas mexidas e hoje abertas para a discussa\u0303o com parte humana representada na\u0303o ha\u0301 como discutir fronteira alguma.<br \/>\nDesde antes das anotac\u0327o\u0303es de Theodor Koch-Gru\u0308nberg ate\u0301 o caso de Makunai\u0301ma estar na capa do livro e ganhar o mundo tambe\u0301m com o cinema, caminhos para a decolonizac\u0327a\u0303o podem ter sido deixados.<br \/>\nAcredito que haja outro momento para ale\u0301m do oriente e ocidente se juntando para tentar encapsular o pensamento. Ganham novas dimenso\u0303es quando velhos termos sa\u0303o postos em outros contextos. O caso e\u0301 que vivemos em estado de arte e o passeio em outros mundos e\u0301 apenas uma forma de como podemos pensar e experimentar a ta\u0303o falada decolonizac\u0327a\u0303o.<br \/>\nMakunaima e decolonizac\u0327a\u0303o soam termos soltos no meio da multida\u0303o, ou seja, o povo, aquele a quem no\u0301s midia\u0301ticos buscamos. Ou na\u0303o? Acontece que Makunaima expo\u0302s- se em Makunai\u0301ma para ser parte da cultura disponi\u0301vel. Uma vida inteira a esse propo\u0301sito e\u0301 anunciada para a contextualizac\u0327a\u0303o mi\u0301nima. A minha relac\u0327a\u0303o com meu avo\u0302 sera\u0301 o nosso passeio. Makunaima no ci\u0301rculo que este texto alcanc\u0327a e\u0301, ou poderia ser, minimamente conhecido por sua parte exposta antes na arte, no mundo.<br \/>\nTanto quanto outros ou todos os atores fanta\u0301sticos colonizados com nossa gente Makunaima deve ser retirado da ala dos folclores. Significativamente, Makunaima e\u0301 envolvido nas leituras que sa\u0303o propostas por diversos influentes sobre o cara\u0301ter duvidoso do brasileiro. Isso esta\u0301 relacionado tambe\u0301m com a Semana de Arte Moderna de 1922, tempo de quase um se\u0301culo quando surgimos com mais essa demanda. O hoje e o futuro dessa gente-nac\u0327a\u0303o de identidade desafiadora, beirando o fanta\u0301stico, de onde mesmo lhe e\u0301 proposto com arte. Pena Ma\u0301rio na\u0303o estar mais aqui para ver e sentir esses outros lados dos movimentos. Mas na\u0303o tem problema, suas crias, que tambe\u0301m o sou, esta\u0303o por aqui.<br \/>\nMakunaima sabia sempre o que fazia; parto deste pressuposto. Ele expo\u0302s-se sozinho e em estrate\u0301gia. Agora e\u0301 outro tempo. O tempo que ele pensou que chegaria na\u0303o levou nem um se\u0301culo. Onde me couber, vou. Vou ale\u0301m de minha relac\u0327a\u0303o direta com ele. Como artista tambe\u0301m dou um salto na colonizac\u0327a\u0303o e vou antes do tempo disso tudo. Acredito e sinto que em determinado momento posso estar em um tempo anterior, em um tempo de nossas diversidades pre\u0301-colonialistas.<br \/>\nAos leitores e\u0301 requerido um va\u0301cuo total interior, um nudar-se por dentro para ter espac\u0327o. Em uma grande concepc\u0327a\u0303o, e\u0301 requerido um esvaziamento total de um ser para outro ser caber. O ser vem pleno e ele mesmo traz seu caber. O novo ser na\u0303o fica portanto onde na\u0303o lhe caiba pleno. Repito, na\u0303o ando so\u0301, na\u0303o falo so\u0301, na\u0303o aparec\u0327o so\u0301. Reitero, toda a visualidade que me comporta, todas as pistas ja\u0301 expostas do meu existir sa\u0303o meramente um passo para mais miste\u0301rios. Somos por no\u0301s mesmos o poc\u0327o de todos os miste\u0301rios. Ressalto, na\u0303o temos definic\u0327a\u0303o, viemos de um tempo conti\u0301nuo, sem estacionar. Lembro, buscamos os sentidos mais abstratos, tratamos de outros tratos bem firmes nessa passagem. Reforc\u0327o, tanto meu avo\u0302 Makunaima quanto eu mesmo, parte direta dele, somos artistas da transformac\u0327a\u0303o.<br \/>\nQuando meu avo\u0302 transforma algo em pedra ele na\u0303o destro\u0301i. E Makunaima passa, na volta, vem transformando o que transformou na ida. Ele vem sempre em outra forma. Quando Makunaima ao caminhar na savana deu de cara com uma pedra grande, branca, na\u0303o hesitou, parou diante da pedra e transformou-a em um touro. Makunaima tinha poderes e decisa\u0303o para transformar a pedra em touro e assim o fez. Ao transformar a pedra em touro, o touro, ao ver Makunaima, lhe atacou. O touro atacou seu criador como a uma criatura. Makunaima lutou com o touro. A luta foi brava. Por fim o touro passou a conhecer Makunaima e passou a ama\u0301-lo como seu paralelo, como algo parte de si mesmo. Ele cria as coisas com suas deciso\u0303es. Tudo o que ele ve\u0302, tudo que toca, passa a receber um outro tipo de ac\u0327a\u0303o, um outro tipo de energia, algo que desencadeia um mover em seu ser, no ser que foi tocado.<br \/>\nMakunaima como disse dispensa uma forma, um ge\u0302nero, uma ge\u0302nese. E\u0301 um estado de energia que se cria e recria em si mesmo como uma bananeira que na\u0303o precisa de par. Sa\u0303o as cobranc\u0327as mundanas de nossos humanos sentidos que nos exigem uma refere\u0302ncia lo\u0301gica. Eis que Makunaima experimenta uma forma de materialidade, de sonoridade, de sensitividade acessi\u0301vel aos seus descendentes, como uma ideia de ge\u0302nero, por exemplo. Ele vem enta\u0303o em muitos estados transito\u0301rios, passa a aparecer ale\u0301m da oralidade, ale\u0301m do mito. Desce de seu estado supremo flechado por seu orgulho superado; quando enxerga-se ale\u0301m de seu orgulho e depois de todo o seu sofrer essencial. Ele rompe todos os limites, subverte todos os conselhos, deixa beijada a ma\u0303o do seu avo\u0302, o jabuti, e vai ao encontro do pai de todos no\u0301s, o universo.<br \/>\nDo universo Makunaima ve\u0302 a Ma\u0303e Terra e, de la\u0301, se entristece. Por la\u0301 Makunaima quer estar, mas a ma\u0303e lhe suplica e ele na\u0303o suporta o clamor de sua ma\u0303e, e volta. Desce para encontrar sua fami\u0301lia. Vai ao lugar de origem e ve\u0302 as flores em bota\u0303o. Uma dessas<br \/>\nfloradas dara\u0303o grandes poetas. Eis que Makunaima vai, uma a uma, para conferir. Alegre esta\u0301 e ao passar perto de minha rede lhe puxo pelo dedo. Ele me ve\u0302. Seus olhos brilham e me absorvem. Fiz-me em meu avo\u0302, somos agora um so\u0301, de fato. Antes desse momento fotografia e dentro dela estamos eu e meu avo\u0302 em constante movimento. Estamos em constante passagem e nossa origem comum e\u0301 desconhecida para muitos, mas ha\u0301 o caminho vivo a que se quer chegar.<br \/>\nEntro em associac\u0327a\u0303o nesse texto como na\u0303o podia ser diferente. Sou neto direto de Makunaima. E\u0301 uma relac\u0327a\u0303o de fami\u0301lia, algo i\u0301ntimo e sagrado que so\u0301 mesmo o respeito pode aproximar. Enta\u0303o, sou artista assim como meu avo\u0302; sou meio como o meu avo\u0302. Seguro no dedo do meu avo\u0302 e vamos seguindo. Com o tempo vou crescendo e meu avo\u0302 Makunaima vai diminuindo e vamos indo ate\u0301 ele virar crianc\u0327a e eu me tornar um velho e inverter a lo\u0301gica da vida e da existe\u0302ncia seguindo assim para sempre. Eis que tudo enta\u0303o e\u0301 so\u0301 o instante e logo ja\u0301 estara\u0301 passando a outra coisa.<br \/>\nEssa e\u0301 a nossa linguagem, um ato conti\u0301nuo em si mesmo, a transformac\u0327a\u0303o. La\u0301, antes de vir o outro, a conjuntura era a conjuntura de la\u0301. Uma origem em si mesma, um recurso pro\u0301prio do grande ato, a criatividade. Surgimos com o tudo, do nada. Trouxemos a origem do mundo e foi para todos que surgimos. Surgir e\u0301 uma palavra emprestada. Quando agora emprestamos tudo para desencantar. Desencantar e\u0301 um estado transito\u0301rio diretamente relacionado ao ato de destruir o que logo foi associado ao meu avo\u0302 em sua grande jornada pelo mundo; a falta de cara\u0301ter e o desde\u0301m por tudo.<br \/>\nAntes de um se\u0301culo apenas no\u0301s estamos no rastro dele, sempre. Estou aqui para resgatar meu avo\u0302, leva\u0301-lo pra casa pra cuidar dele. O ser que sou, eu mesmo, e\u0301 homem, um guerreiro pleno de 1,68 metros, 82 kg, 39 anos. E\u0301 livre como deve ser. E\u0301 livre como e\u0301 meu avo\u0302 Makunaima ao se lanc\u0327ar na capa do livro do Ma\u0301rio de Andrade. Ele se deixou ir; foi o que me disse em uma de nossas inu\u0301meras conversas de avo\u0302 e neto. Assim me diz ele:<br \/>\n&#8211; Meu filho eu me grudei na capa daquele livro. Dizem que fui raptado, que fui lesado, roubado, injustic\u0327ado, que fui trai\u0301do, enganado. Dizem que fui besta. Na\u0303o! Fui eu mesmo que quis ir na capa daquele livro. Fui eu que quis acompanhar aqueles homens. Fui eu que quis ir fazer a nossa histo\u0301ria. Vi ali todas as chances para a nossa eternidade. Vi ali toda a chance possi\u0301vel para que um dia voce\u0302s pudessem estar aqui junto com todos. Agora voce\u0302s esta\u0303o juntos com todos eles e somos de fato uma care\u0302ncia de unidade. Vi voce\u0302s no futuro. Vi e me lancei. Me lancei dormente, do transe da forc\u0327a da decisa\u0303o, da<br \/>\ncegueira de lucidez, do corac\u0327a\u0303o explodido da grande paixa\u0303o. Estive na margem de todas as margens, cheguei onde nunca antes nenhum de no\u0301s esteve. Na\u0303o estive la\u0301 por acaso. Fui posto la\u0301 para nos trazer ate\u0301 aqui.<br \/>\nFoi o meu avo\u0302 que contou tudo isso pra mim. Ele na\u0303o tem segredo nenhum comigo e foi mesmo ele que mandou lhes falar. Foi mesmo ele que me autorizou a cita\u0301-lo, a reivindica\u0301-lo, a cultiva\u0301-lo, vive\u0302-lo, ressuscita\u0301-lo.<br \/>\nMinha relac\u0327a\u0303o com meu avo\u0302 Makunaima e\u0301 muito forte por meio da arte e por meio do sangue. Sim, temos o mesmo sangue, a mesma astu\u0301cia, o mesmo cara\u0301ter. Eis o grande artista Makunaima, o grande ser incompreendido. Eu mal nasci e fui alc\u0327ado pelos pe\u0301s com o pulo que meu avo\u0302 deu para me alcanc\u0327ar.<br \/>\nEle me disse:<br \/>\n&#8211; E\u0301 voce\u0302 mesmo. E\u0301 voce\u0302 que eu esperava para me acompanhar.<br \/>\nEnta\u0303o me mostrou o caminho. Mas eu era apenas uma crianc\u0327a e na\u0303o sabia de fato o tamanho do meu avo\u0302, que logo me levou escanchado no ombro a cruzar os primeiros montes. Foi assim a minha introduc\u0327a\u0303o no mundo, meu avo\u0302 foi me mostrando.<br \/>\nSo\u0301 nesta vida ja\u0301 sa\u0303o mais de trinta anos de um caminhar dia\u0301rio em sua pro\u0301pria origem e trajeto\u0301ria. Meu avo\u0302 me contou que provou a fruta proibida. Me contou que a fruta proibida nada mais e\u0301 que a coragem. Me disse que o exemplo maior para nosso entendimento contempora\u0302neo foi lanc\u0327ar-se na capa do livro. Quando Makunaima decide lanc\u0327ar-se na capa do livro sabia o que estava fazendo. Meu avo\u0302 sempre sabia o que estava fazendo. Na\u0303o tinha escolha, era sua vida a acontecer. Makunaima deu o grande salto, comeu inteira a fruta proibida. Quando Makunaima decide expor-se faz estremecer o universo, algo novo realmente surge, algo urge latente no universo. Nada mais seria como antes, a decisa\u0303o estava tomada.<br \/>\nQuando, de outro tempo, Makunaima precisa expor evide\u0302ncias de suas deciso\u0303es universais, nos conta sobre o corte da grande a\u0301rvore Wazak\u2019a\u0301. Sim, outro ato grandioso, determinante para a pan-origem de todos seus filhos; e e\u0301 dele a decisa\u0303o. Ele cortou a grande a\u0301rvore para o existir de todos esses que se espalham na vastida\u0303o da verde floresta de hoje. Cortou a a\u0301rvore para dar vida tambe\u0301m aos habitantes da savana, aqui nesta parte do mundo. Havia fome, escassez, quando a natureza mostrou para Makunaima e seus irma\u0303os as grandes a\u0301rvores. Foi o Deus maior, que e\u0301 a Natureza maior, que por meio da cutia mostrou a Makunaima a grande a\u0301rvore de todas as frutas e sementes. Na\u0303o, na\u0303o era apenas uma, mas, simbolicamente, ficamos com a maior, a mais imponente, a primeira.<br \/>\nA a\u0301rvore do bem, que ao tombar levou ao cha\u0303o tambe\u0301m a a\u0301rvore dos miste\u0301rios, a a\u0301rvore dos outros seres, a a\u0301rvore proibida que ainda hoje existe o tronco ao lado da a\u0301rvore da vida derrubada por Makunaima. A natureza deixa portanto Makunaima diante da grande a\u0301rvore. Deixa ele la\u0301 com o pescoc\u0327o virado para cima vendo e analisando se vai mesmo tomar a grande decisa\u0303o. Makunaima esta\u0301 parado medindo seu existir. Com o machado na ma\u0303o toca o tronco da a\u0301rvore e recebe um choque. E\u0301 um sinal para o corte. Ele teria a coragem. Makunaima da\u0301 os primeiros golpes e enta\u0303o seus irma\u0303os convencidos do ato seguinte o ajudam na jornada. Depois de muito tempo a grande a\u0301rvore vem ao cha\u0303o e o mundo se recria, se re-transforma ainda mais.<br \/>\nO ato glorioso e transgressor de derrubar a a\u0301rvore encantada e\u0301 so\u0301 mais um momento, mais uma decisa\u0303o, uma atitude universal. E\u0301 preciso fatiar o tempo para o mi\u0301nimo entendimento. E\u0301 preciso ouvir o sile\u0302ncio-pensamento de Makunaima entre uma machadada e outra. Na\u0303o era o mero ato de cortar; era por a vida em outra dimensa\u0303o. Em todas as passagens que me conta meu avo\u0302 sobre seu lanc\u0327ar-se sobre a vida e\u0301 nesse sentido. O estar diante da possibilidade e o ato seguinte ve\u0302m com a grande decisa\u0303o.<br \/>\nQuando Makunaima decide estar na capa do livro, sabia que a partir daquele momento sua vida ganharia outra dimensa\u0303o. Sabia da grandiosidade do ato dessa representac\u0327a\u0303o de realidades ainda a vir a se extrapolar. Sabia da importa\u0302ncia dos i\u0301cones na cultura que havia chegado. Sabia dos limites e da gana daquele povo. Sabia da sua missa\u0303o e foi. Foi para o livro, foi para o cinema, foi sujeito e entregue para o mundo. Foi por saber, por lucidez, foi por querer. Sabia que estar na capa do livro era estar em um outro ambiente. Sabia que em um mundo carente de deuses e bondades sua imagem estaria sendo associada a algo ainda na\u0303o vivido mas bem conhecido. Sabia de tudo, sabia de todas as etapas sentidas ate\u0301 seu pleno fazer que e\u0301 o agora.<br \/>\nO endeusamento de Makunaima lhe permite viver ainda mais as amarguras necessa\u0301rias para o triunfo que vira\u0301. O hero\u0301i sem nenhum cara\u0301ter estava pronto para abrir os brac\u0327os bem abertos ao mundo e receber sua chuva de flechas, suas estocadas conti\u0301nuas e esse projetar nos indi\u0301genas por todo o existir. Nos preservou se entregando, se fazendo cac\u0327a ao cac\u0327ador. O surgimento, o encantamento, a ma\u0301xima succ\u0327a\u0303o e o abandono de meu avo\u0302 como um inu\u0301til trapaceiro chega ao fim aparentemente. O marti\u0301rio, algo de ma\u0301rtir e\u0301 sentido na vida de Makunaima, e\u0301 mais sabedoria e prazer absoluto de um outro tipo de amor; na\u0303o por ele.<br \/>\nMakunaima e\u0301 um ser pleno de coragem. Aparece humanizado. E\u0301 tido como homem e em parte da aparic\u0327a\u0303o e\u0301 visto como sem qualquer compromisso com a vida e com o amor.<br \/>\nE\u0301 mostrado seco, mal, do tipo perverso, detentor de pe\u0301ssimas qualidades, mesmo como um reforc\u0327o a\u0300 ideia de machismo e patriarcado. E foi exatamente o que aconteceu, ao estar alc\u0327ado ao topo da visibilidade meu pequeno avo\u0302 vai ao encontro do trova\u0303o, vai ao centro do fogo e chega mesmo a tomar cha\u0301 com Deuses e Demo\u0302nios. Makunaima foi ser sua jornada.<br \/>\nA ma\u0301xima exposic\u0327a\u0303o de Makunaima reflete severamente para dentro da floresta a ideia leviana de um tipo curioso de monotei\u0301smo. Vieram os ismos, o cristianismo especialmente. Reflexos de todos os tons de existe\u0302ncia incidem em Makunaima que os recebe com contra-reflexos. Seria Makunaima o grande Deus, o maior e mais perverso, pois foi essa a tentativa imperativa de extrair-impondo por forc\u0327a tal identidade. Foi essa a proposta enviesada, que tanto se festejou, esse fracasso de sentimento que e\u0301 a cara falida da cultura brasileira. Foi um fracasso humano, uma leitura mundana sem profundidade.<br \/>\nEm lugar nenhum pode caber o na\u0303o tem alma para caber. Na\u0303o tem substa\u0302ncia para caber os dilu\u0301vios de Makunaima em mais uma vez desconstruir e construir. E\u0301 func\u0327a\u0303o atual de Makunaima, em sua nova vida, desmentir. E\u0301 papel de Makunaima pelo poder que lhe foi atribui\u0301do, devolver. Devolver as viso\u0303es que sua aura, luz super poderosa, roubou por encantamento.<br \/>\nMeu avo\u0302 vai devolver tudo; vai devolver o porque\u0302 de todas as histo\u0301rias, a simplicidade da vida. Makunaima vai tirar de si os olhos penosos do mundo e direciona\u0301- los para a natureza. Makunaima se volta em guerreiro do inconformismo como unicamente e\u0301 e vai mostrar aos donos de cada coisa a alma-espi\u0301rito de cada coisa. Voltamos a entrar pelas mesmas portas abertas, as veias abertas no mundo dos desconhecidos. Mais curiosidade para chamar a\u0300 memo\u0301ria, mais movimento para ir ale\u0301m. Mais um tempo para novos olhares. Mais poli\u0301tica e tecnologia, mais magia e outros espeta\u0301culos.<br \/>\nVivemos em estado de arte e assumimos isso. Viemos de outras estruturas para nos fazer cabi\u0301veis aqui nessa ideia de tempo. Os caminhos deixados por meu avo\u0302 se abrem para outros passeios, tempos de outras festas. Onde ele foi posto em desuso e\u0301 o nosso destino ir ale\u0301m mostrando novas frestas. Devo acompanha\u0301-lo em seu revisitar, atravessar de volta de onde fui alcanc\u0327ado para reaprender. Ouvir a vida no caminhar de meu avo\u0302 e traduzir, vivendo como ele quiser e o que ele quiser, na dimensa\u0303o que me couber. Estaremos em tom de universo, cor de terra verde de floresta em arte em seu estado ma\u0301ximo de fluidez.<br \/>\nTodas as viso\u0303es sa\u0303o transito\u0301rias e ha\u0301 mais de um em mim. Nunca havera\u0301 uma conclusa\u0303o e minha passagem e\u0301 ta\u0303o tempora\u0301ria como essas aparentes demandas e suas urge\u0302ncias. Relembrar detalhes essenciais sa\u0303o fundamentais, portanto. O fato que sai\u0301mos<br \/>\nrecentemente da plena oralidade, de um mundo mais de sentimento que de sentidos literais, pesa muito nessa equac\u0327a\u0303o. O fato de vivermos em estado de colonizac\u0327a\u0303o permanente tambe\u0301m tem seu fator obrigador a nos motivar a estar em um ale\u0301m das coisas. Caminhamos abertos junto com os grandes temas do mundo, a fe\u0301, a educac\u0327a\u0303o, a cultura, o ge\u0302nero. E tambe\u0301m acreditamos por nossa natureza fortemente espiritual que nossa arte pode dar alcances. Alcances outros como a no\u0301s foi dado muito ou ta\u0303o pouco tal qual seja ao menos compor ativamente a grande diversidade para sempre.<br \/>\n(Suprimiu-se parte com imagens e textos correlatos)<\/p>\n\t<div class=\"quickshare-container\">\r\n\t<ul class=\"quickshare-genericons monochrome quickshare-effect-spin quickshare-effect-expand\">\r\n\t\t<li class=\"quickshare-share\">Compartilhe:<\/li> \r\n\t\t<li><a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer.php?u=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F&amp;t=MAKUNAIMA%2C+O+MEU+AVO%CC%82+EM+MIM%21+<+JAIDER+ESBELL\" target=\"_blank\" title=\"Share on Facebook\"><span class=\"quickshare-facebook\">Facebook<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F&amp;text=MAKUNAIMA%2C+O+MEU+AVO%CC%82+EM+MIM%21+<+JAIDER+ESBELL\" target=\"_blank\" title=\"Share on Twitter\"><span class=\"quickshare-twitter\">Twitter<\/span><\/a><\/li>\t\t\t\t<li><a href=\"http:\/\/linkedin.com\/shareArticle?mini=true&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F&amp;title=MAKUNAIMA%2C+O+MEU+AVO%CC%82+EM+MIM%21&amp;source=JAIDER+ESBELL&amp;summary=Ver+artigo+completo+com+imagens+e+texto+aqui%3Ahttp%3A%2F%2Fseer.ufrgs.br%2Filuminuras+Revis%C3%A3o%3A+Parm%C3%AAnio+Cit%C3%B3.+Eu+acontec%CC%A7o%2C+artisticamente+falando%2C+acredito%2C+dentro+de+um+processo+que+nos+convida+a+pensar+criticamente+a+decolonizac%CC%A7a%CC%83o%2C+a+apropriac%CC%A7a%CC%83o+cultural%2C+o+cristianismo%2C+o+monotei%CC%81smo%2C+a+monocultura+e+todos+os%26hellip%3B\" title=\"Share on Linkedin\" target=\"_blank\"><span class=\"quickshare-linkedin\">Linkedin<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"https:\/\/plus.google.com\/share?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F\" target=\"_blank\" title=\"Share on Google+\"><span class=\"quickshare-googleplus\">Google+<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"http:\/\/tumblr.com\/share\/link?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F&amp;name=MAKUNAIMA%2C+O+MEU+AVO%CC%82+EM+MIM%21+<+JAIDER+ESBELL&amp;description=Ver+artigo+completo+com+imagens+e+texto+aqui%3Ahttp%3A%2F%2Fseer.ufrgs.br%2Filuminuras+Revis%C3%A3o%3A+Parm%C3%AAnio+Cit%C3%B3.+Eu+acontec%CC%A7o%2C+artisticamente+falando%2C+acredito%2C+dentro+de+um+processo+que+nos+convida+a+pensar+criticamente+a+decolonizac%CC%A7a%CC%83o%2C+a+apropriac%CC%A7a%CC%83o+cultural%2C+o+cristianismo%2C+o+monotei%CC%81smo%2C+a+monocultura+e+todos+os%26hellip%3B\" title=\"Share on Tumblr\" target=\"_blank\"><span class=\"quickshare-tumblr\">Tumblr<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"http:\/\/reddit.com\/submit?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F&amp;title=MAKUNAIMA%2C+O+MEU+AVO%CC%82+EM+MIM%21+<+JAIDER+ESBELL\" title=\"Submit to Reddit\" target=\"_blank\"><span class=\"quickshare-reddit\">Reddit<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"http:\/\/stumbleupon.com\/submit?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2018%2F08%2F26%2Fmakunaima-o-meu-avo%25cc%2582-em-mim%2F&amp;title=MAKUNAIMA%2C+O+MEU+AVO%CC%82+EM+MIM%21+<+JAIDER+ESBELL\" target=\"_blank\" title=\"Share on StumbleUpon\"><span class=\"quickshare-stumbleupon\">Stumble Upon<\/span><\/a><\/li>\t\t\t<\/ul>\r\n\t<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ver artigo completo com imagens e texto aqui:http:\/\/seer.ufrgs.br\/iluminuras Revis\u00e3o: Parm\u00eanio Cit\u00f3. 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