{"id":900,"date":"2020-08-09T19:46:55","date_gmt":"2020-08-09T23:46:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jaideresbell.com.br\/site\/?p=900"},"modified":"2020-08-20T15:58:34","modified_gmt":"2020-08-20T19:58:34","slug":"auto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.jaideresbell.com.br\/site\/2020\/08\/09\/auto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo\/","title":{"rendered":"AUTODECOLONIZA\u00c7\u00c3O &#8211; UMA PESQUISA PESSOAL NO AL\u00c9M COLETIVO"},"content":{"rendered":"<p>                                                                  Jaider Esbell Makuxi<\/p>\n<p>\tAplicar pesquisa em pensar a minha passagem no mundo como algu\u00e9m minimamente consciente de si tem me levado a lugares surpreendentes. A din\u00e2mica do me levar faz um movimento retroalimentar considerando que eu n\u00e3o iria sem meu coletivo anterior, isto seja, a minha identidade ancestral. Mais que um circuito entre ancestralidade e atualidade, essa quest\u00e3o \u00e9 uma base para se navegar em \u00e1guas revoltas, visto que, se n\u00e3o bem entendidas ou explicadas, essas duas palavras acabam por fazer parte do jogo epistemol\u00f3gico colonial. <\/p>\n<p>Essa forma de pensar o meu trajeto pode evidenciar a import\u00e2ncia de se conhecer diversas trajet\u00f3rias. Tamb\u00e9m pode servir de elemento encorajador para sujeitos em processo de afirma\u00e7\u00e3o de identidade. Rastrear suas ra\u00edzes mais profundas \u00e9 um exerc\u00edcio que se faz quando se decide pela hora de enfrentar de fato as camadas de soterramento que a tentativa de apagamento depositou sobre os corpos coletivos.<br \/>\nA afirma\u00e7\u00e3o de uma performance decolonial no todo envolvente prescinde que estejamos conscientes de que nossa forma de desenvolver as nossas rela\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas s\u00e3o pautadas em valores que antecedem o estabelecimento do Estado. Assim, certamente teremos embates constantes com a quest\u00e3o legal, sendo muitas das vezes tidos como rebeldes e antinacionalistas quando n\u00e3o criminalizados e punidos.<\/p>\n<p>Estes fen\u00f4menos de resist\u00eancia s\u00e3o como olhos d\u2019\u00e1gua, que, como bem mostra a geologia, s\u00e3o pontos de erup\u00e7\u00e3o de algo muito mais completo e complexo, fazendo parte de uma intricada rede que se forma e se mant\u00e9m muito mais abaixo ficando, portanto, protegido da a\u00e7\u00e3o aniquiladora vindo uma hora a irromper \u00e0 superf\u00edcie. A ideia de uma infiltra\u00e7\u00e3o em uma estrutura aparentemente s\u00f3lida \u00e9 como as performances decolonias se consolidam.  <\/p>\n<p>    A crise em nossa identidade \u00e9 algo que se tem que assumir e assumir pressup\u00f5e agir a partir de seu pr\u00f3prio campo de possibilidades. A estrutura s\u00f3lida instranspon\u00edvel \u00e9 a identidade nacional, essa que todo habitante deve assumir por for\u00e7a de lei. Ser um brasileiro deve estar antes de qualquer outra forma de identidade e neg\u00e1-la \u00e9 uma contraven\u00e7\u00e3o. Mas compreendemos bem que essa proposta de identidade nacional n\u00e3o \u00e9 uma unanimidade, deixando uma lacuna para a validez de uma outra crise identit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Negar a identidade nacional e reivindicar identidade anterior \u00e9 uma atitude que desperta uma s\u00e9rie de elementos que nos faz conscientes de nossa condi\u00e7\u00e3o de primeiros e talvez configure uma das a\u00e7\u00f5es decoloniais mais potentes pois s\u00e3o aberturas para \u201cos veios das \u00e1guas\u201d da ressurg\u00eancia. S\u00e3o v\u00e1rias as tonalidades sob as quais se constr\u00f3i ou reconstr\u00f3i uma ou v\u00e1rias identidades e ter consci\u00eancia de sua reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 ter provocado a disruptura com o estado pleno da coloniza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Este texto tem o intento de fazer valer o bom uso dos espa\u00e7os conquistados e, como medida de justi\u00e7a das coisas, eu o escrevo sob a licen\u00e7a dos vivos que buscam com suas lutas honrar o sacrif\u00edcio dos mortos, m\u00e1rtires de todos os g\u00eaneros que foram silenciados em suas vozes no exerc\u00edcio de resistir e manter sempre presentes os primeiros. Uma postura decolonial talvez nos oriente para esse comportamento, a ci\u00eancia de que nada mais vivemos que a sequ\u00eancia de uma luta justa muito antes travada para se fazer sempre presente.<\/p>\n<p>Como pesquisador eu adotei as linguagens art\u00edsticas como forma de fazer pol\u00edtica e a escrita na l\u00edngua do colonizador \u00e9 uma maneira de tornar traduz\u00edvel para as mais diferentes l\u00ednguas poss\u00edveis aquilo que por si s\u00f3 n\u00e3o tem bastado. S\u00e3o recorrentes as cenas de injusti\u00e7a secular velada, negada e estruturalmente legalizada contra nossas na\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias por parte do Estado nacional com a coniv\u00eancia internacional. Acaba que \u00e9 preciso desenvolver uma nova forma de fazer tais den\u00fancias, pois, os movimentos cl\u00e1ssicos de resist\u00eancias chegam em um patamar de estagna\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos conseguido causar indigna\u00e7\u00e3o na opini\u00e3o p\u00fablica e nossas demandas s\u00e3o engavetadas no parlamento por falta de press\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Percebendo isso, escrevo minhas pr\u00f3prias leituras de mundo sendo esse sujeito h\u00edbrido com p\u00e9s e m\u00e3os em campos opostos, o que me exige um alongamento amplo para dar passadas de um equilibrista. Tornar evidente a minha trajet\u00f3ria, portanto a trajet\u00f3ria de um povo, \u00e9 valer-se com outros prop\u00f3sitos da j\u00e1 t\u00e3o pesada exposi\u00e7\u00e3o de vida a qual fomos e somos ainda submetidos. A diferen\u00e7a talvez esteja em nosso pr\u00f3prio protagonismo pois falar da pr\u00f3pria hist\u00f3ria deve soar diferente de quando outros falam ou escrevem o que apenas imaginam.<\/p>\n<p>Esse ensaio \u00e9 a extens\u00e3o de uma pesquisa de vida, um empenho pessoal em prestar um servi\u00e7o coletivo \u00e0s diversas na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas vivas, \u00e0quelas que foram dadas por extintas, bem como acolher a ang\u00fastia da popula\u00e7\u00e3o afrodescendente desse Brasil. \u00c9 uma forma de den\u00fancia mas tamb\u00e9m uma busca por empatias, uma tentativa de sensibiliza\u00e7\u00e3o para que a partir do nosso caso abram-se precedentes para que outros grupos \u00e9tnicos tenham suas demandas visibilizadas. <\/p>\n<p>N\u00e3o custa lembrar que o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina a abolir, ao menos oficialmente, a escravid\u00e3o. N\u00e3o custa lembrar que se essa na\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um tratamento digno para o reconhecimento de sua popula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria, tampouco teria com os descendentes de escravos que seguem tamb\u00e9m sem acesso \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de dignidade social e pol\u00edtica dentro da estrutura que arduamente constru\u00edram.<\/p>\n<p>Eu falo da quest\u00e3o da negritude tamb\u00e9m por pertencimento pois meu corpo \u00e9 uma constitui\u00e7\u00e3o composta, em parte, de uma gen\u00e9tica ascendente negra. Eu tenho um av\u00f4 negro e da Venezuela. Eu n\u00e3o poderia deixar essa parte de mim de fora do meu eu.<br \/>\nEsse composto n\u00e3o tira, portanto, o enraizamento central da minha ancestralidade ind\u00edgena, norte, amaz\u00f4nica e caribenha, onde est\u00e3o os ossos de minhas av\u00f3s. \u00c9 deste espa\u00e7o geocosmog\u00f4nico que sou nutrido e a partir dele tenho aspirado alcan\u00e7ar os caminhos para percorrer a vastid\u00e3o dos mundos postos em atrito.<\/p>\n<p>Tenho decidido participar ativamente das discuss\u00f5es globais certo de que de onde eu parto \u00e9 o centro m\u00f3vel de uma periferia imposta. A periferia imposta de que falo \u00e9 quando j\u00e1 consideramos aceitar as medidas impositivas dos valores externos sobre nossa sociedade de origem. E quando aceitamos ser categorizados como minorias estamos acatando a imposi\u00e7\u00e3o de uma esfera outra de valores que se fazem maiores sobre n\u00f3s.<br \/>\nAcaba que n\u00e3o se ver nessa periferia e entend\u00ea-la como um componente de a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 se armar com as armas do invasor. Eu certamente n\u00e3o poderia alcan\u00e7ar esta clareza de pensamento se n\u00e3o tivesse estado t\u00e3o perto da viol\u00eancia como estive. Eu n\u00e3o poderia ter desenvolvido o meu senso m\u00ednimo sobre a necessidade de uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica se tivesse que esperar que a escola me contasse sobre essas quest\u00f5es. A ideia de minoria tamb\u00e9m pode fazer com que deixemos de usufruir, em benef\u00edcio de nossa defesa, as nossas viv\u00eancias e mem\u00f3rias. <\/p>\n<p>Eu tive um tipo de privil\u00e9gio \u00e0s avessas, diria. Poder presenciar ainda muito crian\u00e7a a viol\u00eancia contra meu povo certamente me fez abrir os olhos e alcan\u00e7ar as vis\u00f5es que muitos ainda buscam; uma raz\u00e3o para se manter estrategicamente rebelde sem se perder na radicalidade. Assimilar muito cedo que o jogo se faz com cartas certas na manga e que sentar-se \u00e0 mesa principal pressup\u00f5e percorrer outros caminhos pode fazer uma grande diferen\u00e7a. O caminho que nos foi deixado \u00e9 um caminho oculto mas n\u00e3o \u00e9 inexistente e imposs\u00edvel de se percorrer. Em nosso caso os caminhos s\u00e3o duplos pois temos identidades duplas e a via da viol\u00eancia acaba sendo um lugar de encontro inevit\u00e1vel. Se somos ind\u00edgenas podemos percorrer os caminhos de nossos antecessores e se estamos, a priori, imersos no \u201cmundo dos brancos\u201d \u00e9 pela via da educa\u00e7\u00e3o que devemos contra-atacar. Para nos educarmos e educarmos aos outros um novo ciclo de viol\u00eancia \u00e9 aberto. Discorrer sobre fatos violentos vividos ou presenciados mexe em feridas abertas pois ainda hoje esperamos por uma justi\u00e7a que nunca vem.<\/p>\n<p>Os fazendeiros que queriam, e que ainda querem, expulsar parte de meu povo para tomar nossas terras n\u00e3o ficaram apenas nas amea\u00e7as. Eles continuam se proliferando por todo o territ\u00f3rio al\u00e9m Brasil, ao passo que nossa popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se mant\u00e9m tamb\u00e9m por uma esp\u00e9cie de \u201cevas\u00e3o\u201d, ou um tipo de \u00eaxodo, que se configura quando nossos irm\u00e3os de sangue renegam suas pr\u00f3prias origens e se submetem a aceitar as periferias sociais da grande sociedade como seu lugar de existir, refor\u00e7ando assim a m\u00e1quina de opress\u00e3o. Eles e a omiss\u00e3o das autoridades ceifaram com viol\u00eancia diversas vidas, marcando para sempre os corpos de muitas mulheres por estupro diante de crian\u00e7as que hoje s\u00e3o adultos e certamente n\u00e3o podem ainda hoje falar sobre estes crimes que seguem impunes.<\/p>\n<p>Para a batalha por se manter estrategicamente rebelde sem se perder na radicalidade bem nos servem os prop\u00f3sitos das artes; dentre estes, a cura, um tipo de servi\u00e7o que a arte presta por meio da voz de express\u00e3o ou do fator expositivo de v\u00e1rios eventos cumulativos que precisam ser visibilizados. Suas diversas possibilidades, quando bem aplicadas, podem nos dar a chance de galgar postos antes imposs\u00edveis, visto que os caminhos para ir aos grandes palcos onde se modulam as refer\u00eancias de pensamentos influentes ainda s\u00e3o um desafio grande. N\u00e3o conseguiremos sem a for\u00e7a das artes pois uma autonarrativa ainda \u00e9 privil\u00e9gio para poucos e n\u00e3o fazemos parte desse universo por n\u00e3o atendermos aos crit\u00e9rios da meritocracia.<\/p>\n<p>Discutir a decoloniza\u00e7\u00e3o talvez seja dar um primeiro passo em negar a sua totalidade, ou, que discuti-la n\u00e3o seria exatamente o que se tem a fazer quando desconstru\u00ed-la acaba parecendo mais razo\u00e1vel. Essa segunda op\u00e7\u00e3o pode dar a n\u00f3s um sentido mais en\u00e9rgico ou mais ativo que discutir o que acaba nos deixando apenas nos campos passivos de validar uma teoriza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Se somos um povo constitu\u00eddo com tudo o que nos garante navegar no universo, estamos ent\u00e3o na grande batalha para compor com a polidiversidade, vivos e presentes e n\u00e3o meramente elencados como sociedade ou civiliza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o mais existem. Se mesmo por poucos meios influenciamos outras sociedades, cultivamos em alguma medida a abertura de horizontes. Quando foi exatamente que deixamos de ser n\u00f3s pr\u00f3prios e passamos a ser como os outros, os outros ou dos outros? Se ainda somos um povo constitu\u00eddo, digo eu ciente de que sou parte de uma na\u00e7\u00e3o viva, os Makuxi, devo dizer que, sobre n\u00f3s, o processo de coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu ainda se fazer plenamente. A nossa maneira de resistir e continuar interagindo com os mundos deve servir de bom exemplo de como subverter os efeitos da supremacia que chegou com o invasor, o unilateralismo imperial e monote\u00edsta crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Travamos uma batalha hist\u00f3rica contra o Estado brasileiro. \u00c9 preciso avisar aos esquecidos que permanecemos em guerra. A luta para defender parte do nosso territ\u00f3rio tradicional, a hoje Terra Ind\u00edgena Raposa Serra do Sol, foi marcada, como disse, por muita viol\u00eancia por parte dos colonizadores. Para o nosso povo a luta foi composta por resist\u00eancia e muita estrat\u00e9gia decolonial. E como um bom exemplo pr\u00e1tico de como jogar com as armas do invasor contra ele mesmo, buscamos no direito as solu\u00e7\u00f5es para o nosso caso. Sensibilizamos a alta corte para decidir pela legalidade de nossa luta. N\u00e3o revidamos a viol\u00eancia. Nenhuma vida de invasor foi ceifada pela nossa m\u00e3o. Buscamos p\u00f4r a nosso servi\u00e7o os mesmos organismos que antes nos enfraqueceram, como a igreja cat\u00f3lica por exemplo. Tivemos uma grande vit\u00f3ria, embora o fato tenha despertado muito mais a ira dos nossos agressores que as suas consci\u00eancias. Depois da homologa\u00e7\u00e3o da Raposa Serra do Sol os inimigos dos povos ind\u00edgenas passaram a melhor se articular politicamente. <\/p>\n<p>Hoje temos um retrato catastr\u00f3fico de pa\u00eds com alt\u00edssimos \u00edndices de desmatamentos, portanto, de genoc\u00eddio. Temos ao menos um inimigo declarado, o Presidente da Rep\u00fablica; o que ali\u00e1s pouco diz para n\u00f3s. Saber disso deve servir para que entendamos que a nossa luta est\u00e1 sim para muito al\u00e9m de nossas fronteiras. Nossa luta \u00e9 global, somos a repeti\u00e7\u00e3o do que acontece em todos os territ\u00f3rios nativos invadidos nesse \u00faltimo mil\u00eanio. Estendemos para mil\u00eanios nosso marco temporal apenas para ilustrar a nossa capacidade de consci\u00eancia jur\u00eddica quando sabemos que somos atemporais. Os ciclos de viol\u00eancia se perpetuam. Eles s\u00e3o baseados em m\u00eddias estrat\u00e9gicas e sua for\u00e7a de a\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais forte e eficiente que a nossa. Por\u00e9m ainda estamos de p\u00e9 e ainda somos uma na\u00e7\u00e3o constitu\u00edda e isso configura para os nossos opositores o maior de seus desafios, nos desarticular enquanto identidade. Nisso se configura uma boa performance decolonial. <\/p>\n<p>Certamente \u00e9 um jogo duplo essa tentativa de conquistar por imposi\u00e7\u00f5es. Uma artimanha de dupla a\u00e7\u00e3o de desqualifica\u00e7\u00e3o que imprime sobre n\u00f3s, ind\u00edgenas, em dois territ\u00f3rios distintos. Um \u00e9 mais perform\u00e1tico, a imposi\u00e7\u00e3o de corpos sobre corpos com viol\u00eancia declarada. \u00c9 a chegada invasiva quando n\u00e3o se respeitam os valores dos locais por se achar que eles n\u00e3o existem. O outro \u00e9 mais subjetivo, joga com os componentes da fixa\u00e7\u00e3o de uma inconsci\u00eancia coletiva, a morte ao territ\u00f3rio avan\u00e7ado ou aos campos das cosmogonias, complemento direto do composto identit\u00e1rio. Crer que os outros n\u00e3o possuem alma ou que se a possuem est\u00e3o postas a servi\u00e7o de uma oposi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o pag\u00e3os libertinos tendo, portanto, que se aplicar a eles, por for\u00e7a que seja, a convers\u00e3o. <\/p>\n<p>A diferen\u00e7a abissal entre os mundos oriental e ocidental deve servir para alertar sobre a necessidade de se preservar algum equil\u00edbrio geoecol\u00f3gico e sociocosmog\u00f4nico. O entendimento sobre conhecimento, territ\u00f3rio, natureza e tecnologia, por exemplo, continuam sendo disseminados segundo a indica\u00e7\u00e3o do mundo invasor.  As epistemologias outras devem achar um meio de se fazerem presentes deste lado de c\u00e1. Talvez seja aqui no campo das validades onde a escrita ainda domina que estas quest\u00f5es comecem a ser pautadas. Quando um de n\u00f3s, os tidos como minoria, consegue ventilar essas quest\u00f5es \u00e9 muito mais leg\u00edtimo que quando pesquisadores \u2018brancos\u2019 o fazem. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de desqualificar ou negar as ag\u00eancia do outro, \u00e9 uma quest\u00e3o de pr\u00e1tica decolonial.<\/p>\n<p>As maneiras como as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o-ocidentais se comunicam entre si e com os cosmos oferecem vasta bibliografia referencial de como se conquistar a autonomia, mas elas n\u00e3o aparecem descritas ou armazenadas em livros ou outros arquivos f\u00edsicos. Nem por isso esse cabedal de conhecimento deixa de ser uma plataforma de conquista, um feito de que se devam se orgulhar seus detentores, como fazem os ocidentais com suas pomposas bibliotecas. Eis aqui uma substancial diferen\u00e7a, a estrutura que os sistemas, ou os mundos adotam. Uns se valem do conhecimento emp\u00edrico, da tradi\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica como escola de vida, a manuten\u00e7\u00e3o constante de uma evolu\u00e7\u00e3o essencialmente oral de transmiss\u00e3o e a capacidade de se comunicar diretamente com os elementais da natureza que acabam sendo parte de suas popula\u00e7\u00f5es. Nosso povo ainda sabe negociar com o \u201csobrenatural\u201d e essa rela\u00e7\u00e3o de estreitamento faz dos territ\u00f3rios um s\u00f3 campo poss\u00edvel. A outra forma de manter a vida, o mundo ocidental, o desenvolvido ou o tecnol\u00f3gico, passou a ter na estrutura material sua garantia de sobreviv\u00eancia e ent\u00e3o a busca por desbravar mat\u00e9rias primas em terras long\u00ednquas foi o motor para o fracasso de ambos, o mundo deles e o nosso. A aproxima\u00e7\u00e3o descuidada de mundos distintos, uma abordagem n\u00e3o consentida, portanto, delinquente e severamente agressiva para todos, mexeu drasticamente no equil\u00edbrio das exist\u00eancias.    <\/p>\n<p>A capacidade de nos mantermos uma na\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, mesmo sob uma pesada campanha b\u00e9lica secular de destrui\u00e7\u00e3o, \u00e9 a nossa melhor resposta quando se exige uma performance de lidar com um mundo t\u00e3o violento como a ocidentaliza\u00e7\u00e3o. Afinal o que ou quem faz os povos aut\u00f3ctones resistirem mesmo sem parte substancial de seus territ\u00f3rios tradicionais, condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a plena exist\u00eancia? O que os faz permanecer sendo quem s\u00e3o, mesmo com boa parte de sua estrutura cosmog\u00f4nica, muitos sem a l\u00edngua m\u00e3e, pleitear essa identidade? Certamente s\u00e3o essas liga\u00e7\u00f5es estreitas de territ\u00f3rios que ensaiei falar l\u00e1 atr\u00e1s. O territ\u00f3rio, eis uma das quest\u00f5es chaves para essa narrativa. Tratamos desse lugar referencial como ponto de partida, mas devemos saber que existem quest\u00f5es anteriores e que talvez sejam elas que nos levam a resistir mesmo quando tentam nos convencer de que essa \u00e9 uma guerra definitivamente perdida. Tratamos ent\u00e3o do Territ\u00f3rio como um ponto de ancoragem, um termo referencial para nos abastecermos no meio desse longo caminho, o da contra-narrativa. <\/p>\n<p>As leituras gerais que se fazem sobre a coloniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o de um movimento sequencial e coreografado a partir da ideia de um velho mundo, onde de tudo j\u00e1 foi desenvolvido e, para dar continuidade \u00e0 exist\u00eancia e ao entretenimento, tenham que buscar atrativos em outros mundos. Ent\u00e3o algu\u00e9m sonhou com a riqueza do mundo dos \u2018selvagens\u2019, um lugar onde a consci\u00eancia sobre o sabor de possuir bens materiais ainda n\u00e3o chegou. Seriam terras inteiras \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00f3lios e, se bem soubessem fazer, ainda seriam os pr\u00f3prios nativos a carregar at\u00e9 seus navios o que bem entendessem de levar.<\/p>\n<p> A hoje conhecida e decadente Europa deve a todos os cantos do mundo uma resposta pr\u00e1tica aos seus saques. Exigimos uma devolutiva de nossos valores, isso que para eles s\u00e3o acervos etnogr\u00e1ficos que constam em seus museus como pe\u00e7as ex\u00f3ticas. \u00c9 apenas uma das medidas que exigimos de uma s\u00e9rie de reparos hist\u00f3ricos que precisam ser feitos. O entendimento sobre o valor maior desses s\u00edmbolos retornando para seus locais de origem certamente \u00e9 uma for\u00e7a reversa ao ato sanguin\u00e1rio de t\u00ea-los levado sob condi\u00e7\u00f5es escusas. No campo da cosmologia, que para n\u00f3s n\u00e3o se distingue da vida plena, seria uma cura para feridas profundas abertas e assim deixadas por onde se infiltram no organismo maior bact\u00e9rias como as que causam pandemias como as de agora.<br \/>\nEssa leitura continua sendo essencial. Algu\u00e9m continua a explorar, escravizar, a impor como um marco hist\u00f3rico. Ainda hoje esse mapa de explora\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m em efeito mesmo que o modus operandi dos ataques, a sua distribui\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica, tenha se diversificado e a Europa tenha se perdido em si mesma. A imagina\u00e7\u00e3o de se criar um mundo imperial dominante ainda permanece. Essa ideia de ter sempre um lugar de onde se explorar, e que uma vez retirado o bem n\u00e3o pertence a mais ningu\u00e9m sen\u00e3o aos novos donos, e que o resto do mundo est\u00e1 longe demais para chegar a reaver algum valor, ainda se mant\u00e9m. Que a esse mundo s\u00f3 se vai quem \u00e9 levado, e n\u00e3o pode ser para propagar ideias de retomada ou algo do tipo que fuja aos seus crit\u00e9rios de necessidade de manuten\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio e supremacia; racial, inclusive.<br \/>\nJunto com os navios vieram os homens da f\u00e9, a lei suprema para a unifica\u00e7\u00e3o da humanidade em uma cren\u00e7a s\u00f3, mesmo que para tal fosse preciso a guerra santa. E assim foi feito. A coloniza\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 \u00e9 uma forma das mais nefastas pois sobre ela ainda pesa a for\u00e7a da viol\u00eancia bruta. A inquisi\u00e7\u00e3o queimou vivo muitos mestres, curandeiros e magos diante daqueles de quem deles dependiam. Para o invasor a nossa forma de viver era improdutiva. Era inconceb\u00edvel que uma sociedade vivesse sem cultuar um deus representado. A eleva\u00e7\u00e3o de uma cruz como s\u00edmbolo acima de um pr\u00e9dio sacramentava a ordem de mudar uma l\u00f3gica de plenitude. Desde acreditar que n\u00f3s n\u00e3o cultu\u00e1vamos a f\u00e9, a saber que a nossa f\u00e9 estava distribu\u00edda em igualdade com cada tipo de planta, animais ou fen\u00f4menos naturais tamb\u00e9m n\u00e3o os fez considerar.<br \/>\nO fato \u00e9 que ainda hoje precisamos iconografar nossas lutas para que elas sejam visibilizadas. Que ainda hoje temos que tecer verdadeiras odisseias para alcan\u00e7ar os \u201cp\u00falpitos\u201d que s\u00e3o o que chamam de lugar de fala ou o lugar da express\u00e3o. Mesmo ainda sendo uma produ\u00e7\u00e3o tida como menor, uma produ\u00e7\u00e3o de periferia ou de minorias, s\u00e3o as artes dos nativos a lhe ampliarem as vozes e isto deve constar como pr\u00e1ticas decoloniais.<br \/>\nNossas publica\u00e7\u00f5es navegam em ritmo pr\u00f3prio e percebo que temos avan\u00e7ado ao passo que nos dedicamos a intensificar nossos estudos naqueles dois territ\u00f3rios que citei acima. O territ\u00f3rio de nossa ocupa\u00e7\u00e3o milenar e o territ\u00f3rio cosmog\u00f4nico, esse que est\u00e1 ainda mais fragmentado, mas que temos buscado recuperar com o pouco acesso que temos tido \u00e0s nossas medicinas tradicionais, como a bebida que ganhou o mundo com o nome de Ayahuasca, por exemplo. Mesmo este exerc\u00edcio n\u00e3o tem sido f\u00e1cil e sobre ele ainda pesa a discrimina\u00e7\u00e3o, pesa o desconhecimento ou a mal\u00edcia das mil\u00edcias que sabem que com esses acessos podemos intensificar nossas contra-narrativas. Ent\u00e3o o jogo sujo incorre sobre essas pr\u00e1ticas e em alguns pa\u00edses se estabelece a criminaliza\u00e7\u00e3o. Essas pesquisas com as medicinas tradicionais acabam ficando a cargo de cada indiv\u00edduo, pois ainda v\u00eam cercadas de efeitos coloniais, uma vez que est\u00e3o paralelizadas com a ideia de uma religi\u00e3o dogm\u00e1tica, portanto, restritiva e hier\u00e1rquica. O meu povo vem de uma tradi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Para n\u00f3s, somos parte de um todo maior e a falta de simbologias n\u00e3o faz sentido, pois temos em nossos territ\u00f3rios evid\u00eancias materiais de nossa origem e continua\u00e7\u00e3o. O contato de nossos antepassados com os primeiros pesquisadores europeus foi marcado exatamente por essa condi\u00e7\u00e3o. Foram devidamente apresentados a eles os nossos deuses, semideuses e entidades gerais que nos mantiveram at\u00e9 ali dentro de um sentido de equil\u00edbrio e plenitude.<br \/>\nH\u00e1 not\u00edcias vagas sobre a ida de alguns chefes de nossos povos at\u00e9 a Europa, uma viagem que, claro, foi mais vantajosa para o espet\u00e1culo deles que para nossa miss\u00e3o em ir investigar aquele mundo. Mesmo n\u00e3o tendo o efeito esperado, posso acreditar que essa viagem ao al\u00e9m-mar, na embarca\u00e7\u00e3o deles, tenha sido uma atitude de muita coragem por parte de meus antepassados. Iniciaram eles ent\u00e3o h\u00e1 alguns s\u00e9culos o exerc\u00edcio de se aventurar no mundo dos estrangeiros usando suas pr\u00f3prias estruturas. \u00c9 o que acredito estar fazendo exatamente agora, ao construir este texto para uma publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, na forma como ela se abre, que n\u00e3o deixa de ser um convite a viver uma aventura arriscada no mundo do conhecimento epistemol\u00f3gico dominador ainda euroc\u00eantrico.<br \/>\nO exerc\u00edcio de passear por essas mem\u00f3rias tendo nelas o meu referencial bibliogr\u00e1fico me assegura usufruir de outros m\u00e9todos. Seria uma extens\u00e3o da pr\u00e1tica da oralidade, embora eu tenha, por estrat\u00e9gia, que usar a l\u00edngua culta do colonizador. N\u00e3o me sinto em d\u00e9bito por n\u00e3o lhes trazer em nota de rodap\u00e9 nomes, datas e circunst\u00e2ncias, mas convido a considerar a minha assinatura como representante de um povo que ainda preza pela validade da coisa narrada. Se este texto n\u00e3o coubesse na linha editorial, desta forma, saber\u00edamos que as aberturas para as pr\u00e1ticas de performances decoloniais nos ambientes e espa\u00e7os acad\u00eamicos ainda n\u00e3o seriam uma realidade m\u00ednima.<br \/>\nA conclus\u00e3o \u00e9 que nada h\u00e1 de conclu\u00eddo. Nem a coloniza\u00e7\u00e3o conseguiu nos exterminar, nem reunimos elementos consistentes para nos aventurar com desenvoltura no intermeio de mundos t\u00e3o opostos, mas estar vivo e tentando \u00e9 a nossa grande conquista.<br \/>\nRevis\u00e3o: Parm\u00eanio Cit\u00f3\/Paula Berbert<br \/>\nFoto: Salissa Rosa.<\/p>\n\t<div class=\"quickshare-container\">\r\n\t<ul class=\"quickshare-genericons monochrome quickshare-effect-spin quickshare-effect-expand\">\r\n\t\t<li class=\"quickshare-share\">Compartilhe:<\/li> \r\n\t\t<li><a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer.php?u=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F&amp;t=AUTODECOLONIZA%C3%87%C3%83O+%26%238211%3B+UMA+PESQUISA+PESSOAL+NO+AL%C3%89M+COLETIVO+<+JAIDER+ESBELL\" target=\"_blank\" title=\"Share on Facebook\"><span class=\"quickshare-facebook\">Facebook<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F&amp;text=AUTODECOLONIZA%C3%87%C3%83O+%26%238211%3B+UMA+PESQUISA+PESSOAL+NO+AL%C3%89M+COLETIVO+<+JAIDER+ESBELL\" target=\"_blank\" title=\"Share on Twitter\"><span class=\"quickshare-twitter\">Twitter<\/span><\/a><\/li>\t\t\t\t<li><a href=\"http:\/\/linkedin.com\/shareArticle?mini=true&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F&amp;title=AUTODECOLONIZA%C3%87%C3%83O+%26%238211%3B+UMA+PESQUISA+PESSOAL+NO+AL%C3%89M+COLETIVO&amp;source=JAIDER+ESBELL&amp;summary=Jaider+Esbell+Makuxi+Aplicar+pesquisa+em+pensar+a+minha+passagem+no+mundo+como+algu%C3%A9m+minimamente+consciente+de+si+tem+me+levado+a+lugares+surpreendentes.+A+din%C3%A2mica+do+me+levar+faz+um+movimento+retroalimentar+considerando+que+eu+n%C3%A3o+iria+sem+meu%26hellip%3B\" title=\"Share on Linkedin\" target=\"_blank\"><span class=\"quickshare-linkedin\">Linkedin<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"https:\/\/plus.google.com\/share?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F\" target=\"_blank\" title=\"Share on Google+\"><span class=\"quickshare-googleplus\">Google+<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"http:\/\/tumblr.com\/share\/link?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F&amp;name=AUTODECOLONIZA%C3%87%C3%83O+%26%238211%3B+UMA+PESQUISA+PESSOAL+NO+AL%C3%89M+COLETIVO+<+JAIDER+ESBELL&amp;description=Jaider+Esbell+Makuxi+Aplicar+pesquisa+em+pensar+a+minha+passagem+no+mundo+como+algu%C3%A9m+minimamente+consciente+de+si+tem+me+levado+a+lugares+surpreendentes.+A+din%C3%A2mica+do+me+levar+faz+um+movimento+retroalimentar+considerando+que+eu+n%C3%A3o+iria+sem+meu%26hellip%3B\" title=\"Share on Tumblr\" target=\"_blank\"><span class=\"quickshare-tumblr\">Tumblr<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"http:\/\/reddit.com\/submit?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F&amp;title=AUTODECOLONIZA%C3%87%C3%83O+%26%238211%3B+UMA+PESQUISA+PESSOAL+NO+AL%C3%89M+COLETIVO+<+JAIDER+ESBELL\" title=\"Submit to Reddit\" target=\"_blank\"><span class=\"quickshare-reddit\">Reddit<\/span><\/a><\/li>\t\t<li><a href=\"http:\/\/stumbleupon.com\/submit?url=http%3A%2F%2Fwww.jaideresbell.com.br%2Fsite%2F2020%2F08%2F09%2Fauto-decolonizacao-uma-pesquisa-pessoal-no-alem-coletivo%2F&amp;title=AUTODECOLONIZA%C3%87%C3%83O+%26%238211%3B+UMA+PESQUISA+PESSOAL+NO+AL%C3%89M+COLETIVO+<+JAIDER+ESBELL\" target=\"_blank\" title=\"Share on StumbleUpon\"><span class=\"quickshare-stumbleupon\">Stumble Upon<\/span><\/a><\/li>\t\t\t<\/ul>\r\n\t<\/div>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaider Esbell Makuxi Aplicar pesquisa em pensar a minha passagem no mundo como algu\u00e9m minimamente consciente de si tem me levado a lugares surpreendentes. 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